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BNDES trava batalha difícil para afastar presidente da JBS

Gerson Freitas Jr., Tatiana Freitas e Paula Sambo

(Bloomberg) -- O esforço liderado pelo BNDES para tirar Wesley Batista do comando da JBS sofreu um duro revés dias antes da assembleia de acionistas da empresa.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negou o pedido feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -- o segundo maior acionista da JBS -- para impedir que a família controladora da companhia tenha poder de voto na assembleia, agendada para 1º de setembro. A família é a principal acionista, com mais de 42 por cento da empresa, seguida pelo BNDES, com 21 por cento. O restante das ações da JBS está em diferentes mãos e nenhum outro investidor possui mais de 5 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O BNDES havia argumentado que os irmãos Wesley e Joesley Batista deveriam ser impedidos de votar devido a um conflito de interesses. O banco também afirmou que votaria a favor de uma ação de responsabilidade civil contra os irmãos, que em maio assinaram acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) no qual admitiram pagamentos de propina a mais de 1.800 políticos. O esquema de corrupção de uma década desencadeou uma crise política que quase derrubou o governo.

Agora, com os irmãos autorizados a votar, o BNDES precisaria do apoio de quase oito de cada 10 dos demais acionistas para vencer. A tarefa do banco estatal pode ser difícil: os investidores reagiram positivamente à notícia de que o conselho da JBS decidiu em votação pela manutenção de Wesley como presidente e as ações da empresa subiram 2,5 por cento como resultado, um sinal de que o mercado vê sua saída como negativa para a empresa no curto prazo.

Em conversas com meia dúzia de investidores, que pediram para não serem identificados para não revelarem publicamente seus votos antes da assembleia de sexta-feira ou por manterem uma posição relativamente pequena, a visão é que Wesley debelou a crise de forma eficaz após a notícia sobre a delação premiada, em meados de maio. Duas semanas depois, a empresa holding da família assinou acordo de leniência com o MPF, diminuindo a preocupação em relação às penalidades que a empresa poderia sofrer. Em um mês, o frigorífico anunciou um plano de venda de ativos de R$ 6 bilhões e já estava próximo de renegociar cerca de R$ 22 bilhões em dívidas com os bancos, acordo concluído em julho.

Recuperação das ações

As ações da JBS, que haviam caído para apenas R$ 5,98 (US$ 1,89) logo após a delação dos irmãos Batista ter se tornado pública, se recuperaram e são negociadas em torno de R$ 8,9 -- cerca de 6 por cento abaixo do patamar pré-crise.

Wesley, que ocupa a presidência da empresa desde 2011, também viajou a Nova York em junho para tranquilizar os investidores e reforçar a confiança na empresa. Apesar de ter sido recebido por jornalistas e câmeras em seu retorno, ele tem permanecido praticamente o tempo todo distante dos holofotes, enquanto seu irmão mais novo, Joesley, atraía a maior parcela da ira dos brasileiros, cada vez mais cansados da onda de escândalos de corrupção que assola o País.

Ainda assim, a permanência do presidente não é consensual. Um investidor, que também pediu anonimato, disse que apesar de a manutenção de Wesley à frente das negociações com os bancos e da venda de ativos provavelmente ser necessária, votará por sua remoção, que provavelmente será benéfica a longo prazo.

"Estamos totalmente alinhados com a proposta do BNDES. Vai ser uma batalha dura, mas podemos conseguir os votos necessários," disse Aurelio Valporto, presidente da Associação dos Investidores Minoritários (Aidmin), em entrevista por telefone. Para ele, Wesley deveria ser afastado porque a corrupção prejudicou "profundamente" a reputação e o caixa da empresa.

A empresa produtora de carne registrou resultados melhores do que os esperados no segundo trimestre, sinalizando que o escândalo envolvendo seus acionistas controladores gerou impacto limitado sobre as operações. A JBS, que tem sede em São Paulo, removeu Joesley da função de presidente do conselho, substituindo-o por Tarek Farahat, ex-presidente da Procter & Gamble para a América Latina, e anunciou medidas destinadas a melhorar a supervisão e a governança.

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