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Até onde vai o rali do mercado brasileiro?

Josue Leonel e Vinícius Andrade

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(Bloomberg) -- O mercado reage com quedas do dólar, do risco Brasil e dos juros futuros à notícia de que a delação da JBS, que gerou pânico entre os investidores em 18 de maio, será revista pelo procurador Rodrigo Janot. A avaliação é a de que o presidente Michel Temer sai fortalecido e tende a manter seu mandato. Ganhos maiores dos investidores, contudo, ainda têm outras condicionantes, como a reforma da Previdência ser aprovada neste ano, uma eleição sem sustos em 2018 e as atuações do Banco Central no câmbio e na política monetária.

O dólar poderá cair abaixo de R$ 3 se o Congresso aprovar uma reforma da Previdência consistente, diz Italo Lombardi, estrategista para América Latina do banco Crédit Agricole. Lombardi reconhece que a possível revisão da delação que trouxe acusações a Temer ajuda a tranquilizar o investidor, mas considera também fundamental que se consolide uma candidatura a presidente favorável aos mercados em 2018. A possibilidade de o prefeito paulistano João Doria sair candidato, mesmo fora do PSDB, é positiva pelo fato de o tucano ser visto como um um político "anti establishment pró-negócios".

Andres Abadia, economista-sênior da Pantheon Macroeconomics, também vê espaço para maior recuo do dólar. "Minha previsão era de R$ 3,10 no fim deste mês, mas os eventos atuais sugerem que há potencial para cair mais, em direção a R$ 3,05", diz. "A posição de Temer está mais segura e a economia do Brasil deve se recuperar durante o segundo semestre do ano e no começo de 2018."

"O que falta para coroar esse humor positivo com o Brasil é a reforma da Previdência", disse Cristiano Oliveira, economista-chefe do banco Fibra. Para o economista, ainda é possível a aprovação de uma reforma enxuta, com alguns pontos específicos como idade mínima, e observa que outros fatores estão ajudando a melhorar o humor dos investidores. A produção industrial de julho, divulgada na terça-feira e que superou as estimativas do mercado, confirma que o crescimento da economia brasileira, que já surpreendeu no segundo trimestre, se mantém no terceiro trimestre, diz Oliveira.

O mercado acordou na terça-feira achando que há uma boa chance de a segunda denúncia da PGR contra Temer nem sequer acontecer, o que explica o bom desempenho dos ativos brasileiros, diz Gustavo Cruz, economista da XP Investimentos. Ele considera, no entanto, que o otimismo poderá ser revertido dependendo das notícias sobre os candidatos para 2018, que indiquem se vai ou não haver um governo reformista. Há ainda, lembra o economista, o risco representado pelo deficit fiscal, dado que a meta de 2018 vai ser muito difícil de ser mantida.

A Bolsa de Valores é, entre os segmentos do mercado, o mais próximo de quebrar um recorde histórico, caso o rali atual seja mantido. Na quarta-feira, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou no nível mais alto em mais de nove anos e no terceiro maior nível na história.

O Banco Central também pode ser determinante para o rali de alguns ativos. No caso dos juros, a taxa básica foi cortada para 8,25% na decisão do Copom de quarta e alguns analistas esperam que a Selic caia para 7% até o fim do ano, quebrando a mínima histórica de 7,25%. Mesmo com a economia dando sinais de vida, a queda da inflação sustenta espaço para o BC seguir reduzindo os juros.

No câmbio, além das incertezas externas com os juros do Fed e a tensão geopolítica, há a dúvida sobre como o BC agirá se o dólar acelerar a baixa em caso de as reformas avançarem. Em outros momentos, o BC atuou com leilões de swap reverso ou mesmo compra de dólar à vista para evitar maior baixa da moeda americana. Para Lombardi, do Crédit Agricole, o BC atual é "pouco propenso" a intervir diretamente no câmbio, sobretudo em um momento em que a própria queda dos juros poderá ajudar a evitar uma apreciação mais aguda do real.

--Com a colaboração de Ana Carolina Siedschlag

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