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Macron quer lembrar ao mundo que França é potência nuclear

Gregory Viscusi

(Bloomberg) -- Emmanuel Macron pretende mostrar que a França ainda tem peso.

Após o teste nuclear da Coreia do Norte, neste mês, o presidente francês usou parte de seu tempo durante uma visita de Estado à Grécia para pressionar seu colega chinês, Xi Jinping, a ampliar as sanções ao país. Ele já conversou com líderes da Alemanha, do Reino Unido e da Itália sobre o assunto e em agosto dialogou com o presidente dos EUA, Donald Trump. Três dias após a detonação subterrânea, ele estava ao telefone para garantir o apoio da França a Moon Jae-in, da Coreia do Sul.

A Coreia do Norte pode estar do outro lado do mundo e a 8.000 quilômetros de distância do território francês mais próximo, mas isso não impediu o presidente de 39 anos de se envolver. A Organização das Nações Unidas ouvirá, quando ele discursar na Assembleia-Geral da entidade, na terça-feira, que Macron quer estar envolvido em tudo.

Com o comportamento errático de Trump, o Reino Unido preocupado com o Brexit e a Alemanha permanentemente carente de um Exército forte, há um vácuo na posição de liderança em relação à segurança que o mundo se acostumou a ver ocupada por uma potência ocidental. Para Macron, que lidera um país dotado de armas nucleares e que é um dos únicos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU com poder de veto, isso representa uma oportunidade de restabelecer a tradicional posição pós-guerra da França como um ator sério.

"Não é apenas uma questão de ótica -- há um vazio", disse Nicholas Dungan, membro sênior do Atlantic Council e professor do instituto Sciences Po, com sede em Paris. "Macron está se posicionando para preenchê-lo."

Grandeza

O presidente pode ter dedicado a maior parte de sua energia até o momento à economia e à zona do euro, mas o reforço da posição global da França é outra faceta do plano. Ele esboçou a possibilidade de um círculo virtual com uma economia mais forte, uma União Europeia mais unificada e uma presença global mais assertiva que se retroalimentam.

"A França precisar se tornar uma grande potência, ponto final", disse Macron, em entrevista à revista Le Point, no mês passado. "Eu aceito esse discurso de grandeza. Mas só poderemos desempenhar esse papel se tivermos os meios. Sem uma transformação econômica e social, você pode esquecer a grandeza."

Após quatro meses no cargo, Macron já se envolveu em crises do Catar ao Iêmen e nesta semana, em Nova York, participará de reuniões sobre conflitos em curso na Líbia e na Síria, que inundaram a UE de refugiados em 2015, criando divergências entre estados-membros e exercendo pressão sobre o compromisso deles de abrirem suas fronteiras. Os assessores de Macron afirmam que, em seu discurso na ONU, ele pedirá que a França aproveite sua influência em uma UE revigorada para definir questões globais.

Martin Quencez, diretor sênior de programas do Fundo Alemão Marshall dos EUA, considera que a abordagem de Macron é mais pragmática que a de seu antecessor, François Hollande, particularmente em relação à aceitação de que a saída do presidente Bashar al-Assad não é pré-requisito para as negociações de paz na Síria. De fato, a Síria é uma área onde a intervenção de Macron poderia ser produtiva em um conflito que envolve uma matriz complexa de atores regionais e globais, como o presidente russo, Vladimir Putin, que Macron recebeu no Palácio de Versalhes em maio.

"Os EUA com Trump têm uma estranha relação de clientes com os sauditas, não falam com o Irã e deixam a Turquia por conta própria. Mas todos são parte de qualquer solução, e a França dialoga com todos", disse Dungan. "Foi um sucesso trazer Putin a Versalhes e repreendê-lo."

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