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Produtores de maconha podem desaparecer por incêndios nos EUA

Jennifer Kaplan

(Bloomberg) -- Muitos negócios no norte da Califórnia necessitarão de anos para se reconstruir após os incêndios florestais que dizimaram a região. Para muitos produtores legais de cannabis pode ser impossível superar a destruição.

Pelo menos seis fazendas de maconha foram destruídas, disse Hezekiah Allen, diretor executivo da California Growers Association. Esse número provavelmente aumentará muito quando as comunicações forem reestabelecidas e os evacuados receberem autorização para voltar à área e avaliarem os danos.

Os produtores enfrentam uma perspectiva desafiadora porque eles não têm acesso a uma tábua de salvação fundamental no mundo da agricultura: os dos cultivos. Além disso, eles também têm pouco ou nenhum acesso a empréstimos, porque os bancos continuam evitando empresas que vendem um produto ilegal do ponto de vista da lei federal. Se a região receber ajuda do governo federal, os produtores de maconha também não terão acesso a ela. Portanto, para eles o custo de reconstrução sairá totalmente do próprio bolso.

"Muitas esperanças e sonhos das pessoas de ter cannabis legal viraram cinza ou estão cobertos de fumaça agora", disse Allen.

O governador Jerry Brown declarou estado de emergência em oito condados, sendo que 21 incêndios grandes tinham queimado cerca de 77.300 hectares de terras até quinta-feira de manhã, segundo Cal Fire, do Departamento de Florestas e Proteção Contra Incêndios do estado. Pelo menos 23 pessoas morreram, mais de 20.000 foram evacuadas e pelo menos 3.500 estruturas foram destruídas. O Serviço Meteorológico Nacional dos EUA emitiu alertas vermelhos e advertências para a região na quarta-feira e na quinta-feira, indicando um risco significativo de um aumento dos incêndios.

A Califórnia legalizou a maconha para uso médico em 1996 e para usos recreativos em novembro de 2016. As vendas do setor chegarão a US$ 5,8 bilhões em 2021, segundo a unidade de pesquisa da Arcview Group, uma empresa de investimento em cannabis. É um montante superior aos US$ 1,8 bilhão de 2016. A oportunidade desencadeou o que foi chamado de "Green Rush" (febre verde), com produtores lutando para conseguir ganhar um lugar.

Mas o preço para entrar é alto. Os produtores precisam pagar alvarás, formulários para usar água e licenças para o cultivo. Assim como os produtores tradicionais, eles também enfrentam riscos ligados ao clima, mas sem acesso a serviços bancários e à possibilidade de amortizar gastos comerciais nos impostos.

O status ilegal do cannabis na lei federal impede que os agricultores consigam qualquer tipo de seguro federal para os cultivos.

"Como o cânhamo é classificado como substância proibida na lei federal, ele não tem direito de obter seguros federais para as plantações", disse Heather Manzano, administradora em funções da Risk Management Agency, em um comunicado. A agência administra seguros do governo para agricultores.

--Com a colaboração de Hannah Levitt Katherine Chiglinsky e Alan Bjerga

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