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Blackstone pode dobrar ativos em cinco anos

Erik Schatzker, Dinesh Nair e Matthew Martin

25/10/2017 14h57

(Bloomberg) -- Steve Schwarzman, da Blackstone Group, disse que sua empresa poderia dobrar os ativos sob gestão nos próximos cinco anos, para US$ 800 bilhões, com uma expansão para novas áreas de investimento.

"Temos metas internas, planos e aspirações para basicamente dobrar nosso valor atual, o que nos levaria a US$ 800 bilhões", disse Schwarzman, cofundador e CEO da empresa, em entrevista à Bloomberg TV nesta quarta-feira, em Riad. Consultado sobre a possibilidade de que a administradora de ativos com sede em Nova York se torne uma empresa de um trilhão de dólares, ele disse: "É possível".

A demanda por ativos alternativos, como private equity e imóveis, cresceu muito. As empresas têm reunido quantias recordes de dinheiro, porque sete anos de alta nos mercados acionários encarecem as ações públicas enquanto os rendimentos de títulos continuam beirando pisos históricos.

A Blackstone, a maior administradora desse tipo de ativos no mundo, mais do que dobrou a quantia que administra para clientes desde meados de 2012, para US$ 387 bilhões no fim de setembro. Entre as novas linhas de negócios empreendidas pela empresa nos últimos anos estão mercados secundários de private equity, oportunidades táticas, propriedades "core-plus" e fundos de investimentos imobiliários.

Os ativos administrados pela Blackstone subiram 4,4 por cento no terceiro trimestre, a alta intertrimestral mais rápida desde o começo de 2015, porque muitos clientes empregaram estratégias como oportunidades táticas, imóveis na Ásia, hedge funds e dívida distressed, afirmou a empresa na semana passada. Schwarzman disse que ele projeta que os ativos da Blackstone continuarão subindo no quarto trimestre. A empresa está levantando recursos para seu novo fundo de infraestrutura e incursionará por investimentos em etapas iniciais de crescimento.

"Parte do que fazemos é fundar novos negócios, novas áreas de investimento", disse Schwarzman, 70, na entrevista. "Nosso negócio não é acumular ativos. Nosso negócio é fornecer retornos."

A empresa foi uma das beneficiadas pelo plano da Arábia Saudita de se transformar em potência dos investimentos e depender menos do petróleo. Em maio, a Blackstone recebeu um compromisso de até US$ 20 bilhões do Fundo de Investimento Público do reino. Neste mês, a empresa acrescentou mais US$ 10 bilhões com a aquisição da Harvest Fund Advisors, que investe em energia.

"Quando você tem fundos de previdência e fundos de riqueza soberana com uma alocação para ativos privados inferiores a 5 por cento, se eles decidirem aumentá-la, mesmo que seja por 10 por cento ou 20 por cento, isso terá um impacto enorme no crescimento do setor", disse Tomasz Grzelak, analista da Baader Helvea em Zurique.

Schwarzman disse que "acredita muito na escala" porque ela permite que sua empresa opere globalmente e atraia profissionais. A Blackstone criou a maior administradora de ativos do mundo quando vendeu uma divisão de valores hipotecários dirigida por Laurence D. Fink, em 1994. Fink a transformou na BlackRock, que hoje administra cerca de US$ 6 trilhões para clientes. Em 2013, Schwarzman disse que sua decisão de deixar Fink ir embora foi um "erro colossal".

Peter Grauer, chairman da Bloomberg LP, é diretor não executivo da Blackstone.

--Com a colaboração de Lukanyo Mnyanda Melissa Mittelman e Devin Banerjee