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Google planeja voltar à China com IA e investimentos

Mark Bergen e David Ramli

31/10/2017 14h34

(Bloomberg) -- Mais de sete anos depois de sair da China, o Google está dando os passos mais ousados desde então para retornar ao país. E não com um site de buscas.

Em vez disso, o ingresso do Google está centrado na inteligência artificial. O gigante da internet está promovendo ativamente o TensorFlow, um software que facilita a criação de sistemas de IA, para formar laços comerciais no maior mercado on-line do mundo, segundo pessoas familiarizadas com os planos da empresa. Trata-se de um discurso de vendas amplo, direcionado a acadêmicos e titãs da tecnologia da China. Ao mesmo tempo, a Alphabet, empresa controladora do Google, está contratando mais funcionários para procurar empresas chinesas para possíveis investimentos em IA, disseram essas pessoas.

"A China é uma enorme oportunidade para qualquer empresa porque é de longe o maior mercado homogêneo individual", disse Kai Fu Lee, que chefiou as operações do Google na China antes de a empresa deixar o país, em 2010. O mercado é muito maior que qualquer outro devido à quantidade de chineses on-line, e os dados obtidos com eles "podem ser usados para o desenvolvimento de produtos, especialmente aqueles relacionados à inteligência artificial", acrescentou.

Um Google mais ativo na China não garante um Google rentável na China. A computação em nuvem, principal mecanismo da empresa para ganhar dinheiro com ferramentas de IA, não pode ser acessada pelos desenvolvedores na China sem servidores no exterior ou manobras técnicas para driblar o Grande Firewall, as leis e a tecnologia do país que controlam a internet doméstica e bloqueiam alguns websites estrangeiros. O Google também enfrenta uma forte concorrência local, principalmente do buscador arqui-inimigo Baidu, na disputa para criar as ferramentas básicas mais populares para invenções como alto-falantes controlados por voz e carros com direção autônoma.

Ainda assim, o Google está claramente interessado em retomar seus negócios na China. A empresa retirou seu mecanismo de busca e vários outros serviços da parte continental do país em 2010 devido à censura do governo. Nos anos seguintes, o Google analisou várias formas de retornar, incluindo a ativação de sua loja de aplicativos para dispositivos móveis no país, com pouco sucesso. A China se transformou no maior mercado para smartphones que rodam o software do Google, o Android, mas sem os serviços do Google.

"Estou empenhado em um envolvimento maior com a China", disse o CEO do Google, Sundar Pichai, em entrevista recente. "Avaliaremos cuidadosamente como podemos nos envolver mais, mas não sei as respostas." Um porta-voz da Google preferiu não comentar.

Em vez de outro lançamento de produto chamativo, a estratégia mais recente do Google na China é um esforço de base focado em treinar e conquistar desenvolvedores do país com seus blocos de construção de IA. É semelhante à forma como as startups de software fazem funcionários usarem seus serviços antes que os departamentos de TI das empresas notem. Depois que as ferramentas se popularizam, as empresas normalmente aceitam a tecnologia e assinam um serviço completo.

--Com a colaboração de Jeremy Kahn

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