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Nespresso comprará mais café de regiões de conflito da Colômbia

Isis Almeida

(Bloomberg) -- A Nespresso comprará mais café na Colômbia ao entrar em regiões que eram assoladas por conflitos. O país andino assinou um acordo de paz no ano passado, que rendeu o Prêmio Nobel da Paz ao presidente Juan Manuel Santos.

A unidade da Nestlé, a maior empresa de café do mundo, pretende adquirir até cinco vezes mais grãos da região de Caquetá no ano que vem, parte de um investimento de US$ 50 milhões na produção sustentável de boa qualidade, afirmou a empresa em um comunicado. O fornecimento chegará a San Vicente del Caguán, uma comunidade que ficava no centro do conflito armado.

Santos assinou em novembro de 2016 o acordo de paz que acabou com um conflito de 52 anos com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Isto permitiu à Nespresso comprar grãos de regiões anteriormente inacessíveis e lançar cápsulas de edição limitada de Caquetá neste ano, com o nome Aurora de la Paz (Aurora da Paz).

"O café será um dividendo da paz na Colômbia", disse Santos em resposta enviada por e-mail. "O fim do conflito está criando oportunidades para o desenvolvimento rural e, como vemos hoje com o anúncio da Nespresso, a Colômbia pós-conflito é atraente para investidores estrangeiros."

O país já é o terceiro maior produtor de café do mundo e o segundo de arábica, uma variedade mais cara e de sabor mais suave. Expandir as plantações para regiões antigamente afetadas pelo conflito poderia aumentar a produção, e o país pretende produzir 18 milhões de sacas em poucos anos, segundo Santos. Essa meta supera os 14 milhões de sacas do ano passado. Cada saca pesa 60 quilos. Os futuros de arábica caíram 5,3 por cento neste ano.

A Nespresso começará trabalhando para melhorar a produção e elevar a qualidade dos agricultores que já estão na região, disse o CEO Jean-Marc Duvoisin. O clima de Caquetá é único: os grãos são plantados a altitudes baixas, com temperaturas baixas e muita umidade, o que dá notas frutais e uma delicada acidez ao café.

500 agricultores

Os agrônomos da Nespresso já estão trabalhando com mais de 500 agricultores em Caquetá para implementar o programa de sustentabilidade da empresa, que pretende melhorar os rendimentos e a qualidade. Agricultores em regiões que foram afetadas pelo conflito estão voltando a fazendas abandonadas anos atrás, portanto será fundamental investir em capacitação e fornecer assistência técnica para produzir grãos de qualidade, disse Santos.

A Nespresso está trabalhando com a Federação de Cafeteiros da Colômbia para transformar San Vicente del Caguán em área fornecedora. Os grãos de arábica colombianos, normalmente cultivados em altitudes mais elevadas, são apreciados pelo sabor, e a demanda continua aumentando porque a Ásia, que costuma consumir chá, está trocando-o pelo café.

"A alta qualidade do café colombiano será um motor fundamental para obter mais investimentos estrangeiros", disse Santos. "Em muitas das regiões que foram afetadas pelo conflito, os especialistas ainda têm muito para descobrir. Tenho certeza de que essas regiões vão contribuir significativamente para nossa produção de café e de que o café vai levar qualidade de vida melhor e progresso para essas comunidades."

--Com a colaboração de Marvin G. Perez

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