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'Botox melhor' pode focar geração Y, mulheres indecisas e homens

Cristin Flanagan

(Bloomberg) -- O principal ativo da Revance Therapeutics é uma nova forma de toxina botulínica semelhante ao eliminador de rugas mais vendido, o Botox, mas com a importante diferença da durabilidade, segundo o CEO Daniel Browne.

Os resultados recentes de um estudo em fase avançada podem respaldar a afirmação. A desenvolvedora de medicamentos com sede em Newark, Califórnia, planeja tirar proveito dessa afirmação de durabilidade para se expandir em mercados antes inexplorados em vez de simplesmente desafiar o Botox e sua fabricante, a Allergan, disse Browne, em entrevista, no escritório da Bloomberg em Nova York.

Quando indagado sobre como sua empresa poderia conseguir se expandir em um campo dominado pelo Botox há quase três décadas, Browne fala sobre a adoção de novas áreas terapêuticas nas quais a Allergan ainda não mergulhou, como fascite plantar, uma causa comum de dor no calcanhar em corredores e pacientes com excesso de peso. A Revance deverá divulgar os resultados de um estudo de fase intermediária sobre fascite plantar até o fim do ano.

A Revance planeja usar os recursos recebidos em uma oferta de ações recente em mais pesquisa e desenvolvimento, e também para acelerar o desenvolvimento de um programa para distonia cervical, uma condição dolorosa e pouco diagnosticada que faz a cabeça do portador torcer para o lado. A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) atribuiu à Revance uma designação de medicamento órfão para o programa.

Browne também vislumbra a exploração do mercado estético conquistando mulheres indecisas quanto a iniciar várias injeções repetitivas de Botox. A geração Y e os homens também são alvos nos quais o CEO da Revance pode ver uma entrada. Para a geração Y, de rosto jovem, o discurso de venda poderia focar no uso do redutor de rugas como tratamento preventivo para detê-las antes da chegada.

Mas a geração Y ainda não precisa abrir a carteira, nem usar seus bitcoins. A RT002, uma terapia experimental da Revance, provavelmente receberá aprovação da FDA e será disponibilizada nos consultórios de cirurgia plástica apenas em 2020.

Esse cronograma não impediu a queda das ações da Allergan em 5 de dezembro. Foi nessa data que a empresa de baixa capitalização divulgou resultados de dois testes de estágio avançado que mostraram que a RT002 impedia o retorno de rugas localizadas entre as sobrancelhas por cerca de seis meses, em média, mais tempo do que o Botox, cujo rótulo indica duração de três a quatro meses. A notícia pode ser boa para as pessoas que querem parecer mais jovens, mas morrem de medo de agulhas.

A Revance tem seus críticos. Analistas de instituições como Wells Fargo e Morgan Stanley se apressaram a defender a Allergan, afirmando que a queda das ações da empresa com domicílio em Dublin, Irlanda, e sede em Parsippany, Nova Jersey, EUA, foi "exagerada". O Morgan Stanley considerou as avaliações dos pacientes sobre a eficácia da RT002 similares às dos resultados informados pelos pacientes do Botox. As escalas utilizadas para comparar as respostas dos pacientes foram diferentes, porque o Botox usou uma escala de oito pontos enquanto a RT002 preferiu uma escala de quatro pontos. "Pode ser um pouco mais fácil para o Botox" mostrar diferença, escreveu o Morgan Stanley.

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