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Brexit sem acordo poderia custar 482.000 empregos ao Reino Unido

Alex Morales e Stefania Spezzati

11/01/2018 12h24

(Bloomberg) -- Abandonar a União Europeia em 2019 sem um acordo poderia custar ao Reino Unido quase meio milhão de empregos, concluiu um relatório. As vagas do setor financeiro de Londres, que são fundamentais, registraram a maior queda em três anos.

A falta de acordo também significaria que o Reino Unido poderá ver uma redução de cerca de 50 bilhões de libras (US$ 68 bilhões) nos investimentos até 2030, de acordo com o relatório encomendado à Cambridge Econometrics pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan. A projeção modelou cinco cenários distintos de Brexit, do mais duro ao mais tranquilo, e destrinchou o impacto econômico em nove setores, da construção às finanças.

O relatório foi divulgado horas depois que a empresa de recrutamento Morgan McKinley publicou uma pesquisa que mostrava que as vagas de emprego no setor financeiro de Londres caíram 52 por cento em dezembro, o maior declínio em três anos. Houve também uma queda de 37 por cento nas ofertas de emprego em relação ao ano anterior, ressaltando o iminente "Brexodus", o êxodo que o Brexit provocará na cidade, afirmou a empresa.

"Em dezembro, o distrito financeiro está tumultuado com as festas de fim de ano e não contrata, então uma queda é esperada", afirmou o diretor de operações, Hakan Enver, no relatório publicado nesta quinta-feira. "Mas é alarmante que a queda tenha sido tão sísmica."

Economia prejudicada

No pior cenário, segundo o estudo de Cambridge, a primeira-ministra Theresa May não conseguiria garantir um período de transição de dois anos para facilitar o caminho das empresas, uma situação que, só em Londres, poderia gerar 87.000 empregos menos e inaugurar 10 anos de crescimento menor, afirmou o gabinete de Khan. As negociações com a UE serão retomadas em março, e o status de bancos será o novo campo de batalha das discussões comerciais.

May disse que não havia lido o relatório e acrescentou: "Estou confiante de que seremos capazes de conseguir um bom acordo e tenho certeza de que estamos trabalhando por isso."

Todos os resultados do Brexit analisados prejudicariam a economia do Reino Unido. No entanto, quanto maior for a distância entre os acordos comerciais atual e futuro do Reino Unido com a UE, pior ficarão as coisas.

"É crucial que o governo entenda as consequências de cada cenário que eles estão considerando com a UE", disse Khan ao programa 'Today', da BBC Radio 4. "Eu quero que eles escolham o melhor resultado para empregos, investimentos e produção econômica."

O relatório chega em mau momento para a primeira-ministra, que se reunirá ainda nesta quinta-feira com representantes de instituições como Goldman Sachs Group, HSBC Holdings e London Stock Exchange Group para discutir a proteção de seus interesses pós-Brexit. Segundo o estudo, em um cenário duro e sem acordo, o setor que se sairia pior é o de serviços financeiros e profissionais, com até 119.000 empregos menos em todo o país.

"Se o governo continuar manejando mal as negociações, poderíamos estar caminhando rumo a uma década perdida de menor crescimento e menor emprego", disse Khan em um comunicado.

--Com a colaboração de Thomas Penny

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