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Baixo desemprego nos EUA diminui obsessão por empregado perfeito

Craig Torres e Jordan Yadoo

26/01/2018 15h43

(Bloomberg) -- As empresas americanas talvez tenham que aceitar o plano de carreira pouco convencional de Mitch McNeal se quiserem encontrar profissionais no agitado mercado de trabalho atual dos EUA.

McNeal aproveitou as habilidades desenvolvidas como organizador de um torneio de basquete para um trabalho de coordenador de terrenos para o setor de petróleo e gás, e depois como especialista em aquisições e desenvolvimento de negócios para uma grande empresa sem fins lucrativos. No entanto, o sucesso de suas manobras pelo mercado de trabalho é bastante raro, considerando que a maioria dos empregadores reluta em contratar candidatos cujos currículos não se encaixem perfeitamente nas palavras-chave do setor.

Isso representa um problema porque, com taxa de 4,1 por cento no mês passado, o desemprego nos EUA está no nível mais baixo desde 2000 e as empresas americanas, de Dallas a Denver, estão tendo dificuldades para encontrar os trabalhadores certos. Em alguns casos, isso restringe o crescimento, informou o Federal Reserve na semana passada.

A busca das corporações americanas pela combinação perfeita é "o principal problema das contratações em nosso país", disse Daniel Morgan, recrutador em Birmingham, Alabama, dono de uma franquia da Express Employment Professionals. "A maioria das empresas fica presa a uma experiência específica para determinado trabalho", disse. "As empresas não veem a pessoa por sua capacidade e pelas habilidades transferíveis."

Os empregadores dos EUA se acostumaram com a mão de obra abundante e barata depois da recessão de 2007-2009. O desemprego atingiu um pico de 10 por cento em outubro de 2009 e só retornou às mínimas do ciclo econômico anterior no ano passado. As empresas continuam relutantes em aumentar salários ou capacitar funcionários com qualificações que não sejam perfeitas, mas os recrutadores dizem que talvez isso tenha que mudar, considerando que o índice de desemprego deverá cair ainda mais.

A capacidade de McNeal de aplicar suas habilidades em uma linha de trabalho completamente diferente oferece uma lição para esses empregadores.

Ele começou expandindo torneios de basquete com times de três jogadores para 15 estados com milhares de atletas -- trabalho que exige habilidades organizacionais rigorosas e destreza social. Mais tarde, essas habilidades se encaixaram bem em uma empresa de petróleo e gás que contratou McNeal para garantir acordos com proprietários de terras locais para direitos de passagem de dutos.

Os empregadores que ignorarem essas habilidades transferíveis podem ter que deixar um cargo vago. Além disso, a relutância em contratar impede que os trabalhadores recebam os aumentos salariais que muitas vezes acompanham as mudanças de emprego. Os postos de trabalho em aberto estão perto dos níveis mais altos observados desde que o governo começou a monitorar a informação, em 2000.

Manter uma vaga em aberto pode deteriorar o moral da equipe, aumentar as horas extras e provocar a perda de profissionais, disse Paul McDonald, diretor-executivo da consultoria de recursos humanos Robert Half International. A busca por habilidades transferíveis "está ganhando popularidade", embora essa mudança esteja acontecendo lentamente, disse. "Quanto mais dificuldades a organização tem, maior a disposição para contratar indivíduos com 50, 60, 70 por cento das habilidades e capacitar."

Título em inglês:
Obsession for the Perfect Worker Fading in Tight U.S. Job Market

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