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Legalização da maconha preocupa empresas canadenses

Jen Skerritt e Kevin Orland

(Bloomberg) -- Quando o uso recreativo da maconha for legalizado no Canadá, Garnet Amundson diz que será muito mais difícil encontrar trabalhadores para a Essential Energy Services. E ele não é o único empregador preocupado com isso.

A Essential Energy fornece serviços para empresas de exploração de petróleo e gás natural em todo o Canadá e seus funcionários manipulam produtos químicos voláteis, operam equipamentos pesados e trabalham com dutos e válvulas de alta pressão. Em suma, pode ser um trabalho perigoso se os procedimentos de segurança não forem seguidos à risca. É por isso que a empresa com sede em Calgary só contrata pessoas que passam em um teste de drogas.

O problema -- que muitas empresas estão enfrentando -- é que os ingredientes ativos na maconha podem permanecer na corrente sanguínea de uma pessoa durante semanas, muito depois de os efeitos passarem. No momento, não há como saber se um candidato fumou um baseado em casa durante o fim de semana ou no carro a caminho da entrevista de emprego. E se a legalização aumentar o consumo ocasional de maconha existe o risco de que haja menos candidatos suficientemente "limpos" para serem contratados.

É um pouco como "se alguém nos dissesse: 'Se você bebeu nos últimos dois meses, você não será considerado apto para o serviço", disse Amundson, CEO da Essential Energy.

A perspectiva de mais reprovações nos testes de drogas é uma grande preocupação em um setor de energia que está se expandindo e precisa de mais trabalhadores. As empresas já estão tendo dificuldade para contratar funcionários qualificados suficientes para realizar trabalhos que são fisicamente exigentes e que requerem longos períodos em lugares remotos. Essa preocupação é importante porque a energia representa 7 por cento da economia do Canadá e gera exportações de combustível para os EUA que chegaram a US$ 54 bilhões em 2016.

O primeiro-ministro Justin Trudeau quer que o uso recreativo da maconha esteja legalizado até os meses de verão do país para cumprir sua promessa de campanha de 2015. Ele tem afirmado que a proibição da maconha desperdiça recursos policiais e que o governo pode fazer mais para prevenir o uso da droga por parte de menores se acabar com o mercado ilícito. Autoridades estaduais e municipais disseram que precisam de mais tempo para elaborar leis e políticas locais.

Preocupação exagerada

Os defensores da maconha dizem que as preocupações do setor são exageradas. Mais de 43 por cento dos canadenses com 15 anos ou mais já experimentaram maconha e 12 por cento consumiram nos últimos 12 meses, de acordo com uma pesquisa do governo de 2012. Um terço das pessoas de 18 a 24 anos usou nos últimos 12 meses.

Os empregadores continuarão a ter o direito de ter certeza de que os funcionários não estão intoxicados no trabalho, disse Alex Shiff, assessor da Cannabis Trade Alliance of Canada, que representa produtores e revendedores licenciados.

"Acho que não veremos mudanças sistêmicas no funcionamento da sociedade", disse Shiff. "Os locais de trabalho que já não aceitam que as pessoas trabalhem sob o efeito de substâncias psicoativas continuarão a fazê-lo."

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