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Bitcoin e ações têm mais em comum do que você pensa: Gadfly

Lionel Laurent

06/02/2018 15h30

(Bloomberg) -- O bitcoin tem servido de brinquedo para traders e apostadores com fome de risco, e não de investimento de uso amplo ou de moeda do mundo real. Tem sido evitado pelos bancos e proibido pelos governos.

No entanto, ainda é possível que a queda de segunda-feira tenha piorado a forte queda do mercado porque os investidores venderam ativos para compensar perdas nas criptomoedas. Por mais marginal que possa ser, e não se pode ter certeza da correlação com algo instável como as moedas digitais, trata-se de uma conexão que vale a pena analisar.

Nas últimas 24 horas houve uma semelhança surpreendente entre o comportamento do bitcoin e os mercados financeiros mais consolidados do mundo. Um gráfico do preço do bitcoin comparado com os futuros do S&P 500 E-Mini mostra como ambos oscilaram em uma formação similar quando a queda atingiu um ponto baixo e deu início a uma minirrecuperação.

As correções são semelhantes, com o retorno de ambos aos níveis vistos pela última vez em novembro. Uma análise de regressão dos últimos dois anos mostra uma correlação de 0,7 entre o preço do bitcoin e o S&P 500 Index, sendo 0 a correlação mais fraca e 1 a mais forte. Ao longo de um ano, a correlação é de 0,8.

Isso é realmente inesperado, considerando que o bitcoin não passa, em sua essência, de um código.

Mas não devemos ignorar seu lugar nas carteiras e na psicologia dos investidores. A moeda digital pode não ser um ativo tradicional de Wall Street, mas virou um instrumento financeiro do mundo real no fim do ano passado, quando começaram a ser negociados contratos de futuros -- mesmo momento em que atingiu um preço recorde de quase US$ 20.000.

As instituições receberam mais opções para comprar em meio à bolha e o veículo Bitcoin Investment Trust viu a diferença em relação ao valor patrimonial líquido aumentar para mais de 50 por cento. Os gerentes de hedge fund se reinventaram, virando especialistas em criptomoedas. As corretoras mantinham os clientes informados a respeito do bitcoin como se fosse petróleo, ouro ou euro.

Por isso, em vez de acreditar que o bitcoin, como no provérbio, poderá cair na floresta sem ninguém por perto para ouvir, o som da queda pode muito bem reverberar em outras partes. Os prejuízos com criptomoedas nas carteiras, quando o bitcoin caiu de cerca de US$ 12.000 para menos de US$ 8.000 em uma semana, provavelmente provocaram vendas de outros ativos como forma de compensação, segundo os cálculos de um trader sênior.

Repito, este é um território muito obscuro devido à especulação desenfreada em torno do bitcoin. Mas este certamente não parece ser um grande hedging contra os mercados financeiros tradicionais.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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