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Riqueza imobiliária intensifica paixão da China pelo ouro

Ranjeetha Pakiam e Daniela Wei

(Bloomberg) -- A legião cada vez mais numerosa de consumidores ricos na China está provocando uma recuperação da demanda por anéis, pulseiras e colares de ouro após um boom imobiliário e as altas avaliações da bolsa aumentarem a riqueza no maior mercado do metal precioso.

"A situação está muito melhor que nesta época do ano passado", e o mercado de joias está se recuperando após três anos de declínios, disse Nikos Kavalis, diretor em Londres da empresa de pesquisa Metals Focus. Colegas que visitaram o centro comercial de Shenzhen no início de janeiro lhe disseram que as lojas estavam bastante movimentadas e que os atacadistas projetam que seus clientes vão retornar para reabastecer o estoque antes do ano-novo lunar em meados de fevereiro.

A demanda do país por joias de ouro subiu 10 por cento no ano passado, para quase 700 toneladas, porque os ricos compraram mais e o consumo melhorou nas cidades do segundo e do terceiro nível, de acordo com a China Gold Association. A compra de ornamentos representou mais de 60 por cento das 1.090 toneladas de ouro consumidas na China no ano passado e constituiu um terço da demanda mundial por joias.

O consumo de joias no segundo semestre foi impulsionado pelas compras para as festas de fim de ano e pelo fato de que os lojistas responderam de forma mais eficaz às necessidades dos clientes, de acordo com o Conselho Mundial de Ouro em um relatório divulgado na terça-feira, estimando que a demanda foi 9 por cento maior nos seis meses até dezembro do que no ano anterior.

"Continuamos otimistas em relação ao próximo ano, apesar de termos uma base alta", disse Kent Wong, diretor administrativo da Chow Tai Fook Jewellery Group, a maior joalheria do mundo por vendas. "A tendência ao crescimento continuará." Os preços na China aumentaram, e o mercado em alta está dando às pessoas mais confiança para comprar joias como investimento, não apenas para uso diário como item decorativo, disse ele em entrevista no mês passado.

Os lucros da empresa subiram mais de 40 por cento nos seis meses até setembro, quando as vendas cresceram 16 por cento na China continental e 13 por cento em Hong Kong e Macau. A alta registrada pelo mercado imobiliário e pelas ações gerou riqueza e aumentou o consumo, disse Wong. As vendas de casas subiram e registraram um recorde em dezembro, as ações atingiram o máximo patamar em dois anos no mês passado e a economia acelerou no ano passado pela primeira vez desde 2010.

China e Hong Kong podem observar um crescimento de um único dígito nas vendas nas mesmas lojas de joalherias neste ano porque a confiança do consumidor melhorou, disse Mariana Kou, analista da corretora CLSA em Hong Kong. Outro motor é que o Ano do Galo, que está prestes a acabar, foi um ano excepcionalmente longo, com duas primaveras, disse Kou, observando que isso é favorável para casamentos e pode levar a mais nascimentos neste ano. Objetos de ouro são presentes tradicionais para casamentos e nascimentos.

--Com a colaboração de Winnie Zhu e Corinne Gretler

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