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Yields falam mais alto que ratings em mercados emergentes

Aline Oyamada e William Mathis

08/02/2018 11h42

(Bloomberg) -- Uma nota de classificação de risco pode ser rebaixada e ninguém dar bola.

Os investidores de mercados emergentes não dão muito peso às opiniões das agências de classificação de risco ultimamente. Para eles, a busca por rendimentos se sobrepõe ao que eles consideram avaliações do que ocorreu no passado. Os prêmios de risco da maioria dos países emergentes que sofreram rebaixamentos nos últimos seis meses ? incluindo Brasil, Colômbia e África do Sul ? subiram brevemente após essas decisões e em seguida retomaram a tendência de baixa que é embalada pelo apetite por risco.

Uma das razões é simples. Os investidores estão atrás de ganhos em um ambiente de juros persistentemente baixos e estão dispostos a assumir mais riscos para elevar suas taxas de retorno ? pelo menos até esta semana de tumulto nos mercados. Paralelamente, as previsões de crescimento de países em desenvolvimento estão sendo revisadas para cima e alguns, como Brasil e Índia, também implementam mudanças na economia bem vistas pelos investidores. Por trás de tudo isso há outro fato básico: os mercados estão na frente das agências de classificação de risco, que tendem a adotar visões de prazo bem mais longo.

"Elas olham para trás", disse Edwin Gutierrez, responsável por dívidas soberanas de mercados emergentes da Aberdeen Standard Investments, em Londres, a respeito das decisões sobre ratings.

Em vista dos muitos fatores que ajudam a economia, Jennifer Gorgoll, gestora de recursos da Neuberger Berman Group, em Atlanta, que ajuda a supervisionar US$ 16,7 bilhões em dívidas de mercados emergentes, prevê que o impacto das mudanças nas notas sobre os ativos de países em desenvolvimento continuará brando.

"Não estou dizendo que as agências de classificação de risco não importam, mas é um ambiente diferente agora e mudanças negativas nas notas podem ter menos impacto nos spreads", ela esclareceu.

Métricas de risco como o CDS (credit default swaps) e spreads sobre os títulos soberanos recuaram na Colômbia e África do Sul após os rebaixamentos mais recentes. O mesmo ocorreu com o Brasil, que até conseguiu vender títulos no mercado uma semana após a S&P Global Ratings ter reduzido ainda mais a nota do país para território de junk bonds (títulos de alto risco). Na verdade, a demanda pela dívida brasileira foi tão forte que o governo conseguiu fechar a operação pagando uma taxa menor do que pretendia inicialmente.

"Em 90 por cento dos casos, os preços de mercado são mais eficientes do que as agências de classificação de risco", disse Sean Newman, gestor de recursos da Invesco Advisers, em Atlanta, que supervisiona US$ 5 bilhões em dívidas de mercados emergentes.

Segundo Newman, no caso de emissores de primeira viagem ou pouco conhecidos, como Tajiquistão ou Suriname, as decisões sobre ratings ainda podem desencadear grandes oscilações nas cotações de mercado porque os investidores não têm dados suficientes para definir o preço com facilidade. As agências têm mais importância para esses países, ele acrescentou.

Outro fato é que, depois que um país perde o grau de investimento, rebaixamentos que levam a nota mais para baixo na categoria de junk são menos relevantes. Há três anos, os títulos da dívida externa brasileira desabaram quando o país perdeu o grau de investimento. Muitos fundos obedecem restrições que os impedem de manter em carteira papéis com nota baixa e precisam vender esses ativos quando viram junk.

"É quando um emissor sai de um índice ou se torna inelegível para determinadas contas de nota alta que os maiores movimentos no mercado ocorrem", disse Shamaila Khan, gestora de recursos da AllianceBernstein, em Nova York. "As grandes reações em termos de rating acontecessem quando se sai de grau de investimento para abaixo disso."

Lisa Schineller, analista de créditos soberanos da S&P, explica que os investidores costumam reagir a notícias bem mais rápido do que as agências, mas isso porque estas adotam uma visão de mais longo prazo e evitam deliberadamente mexer nas notas a cada novidade que aparece.

"Os mercados podem ter a percepção que não agimos de modo tão oportuno", disse Schineller. "Mas buscamos um acúmulo de evidências porque nosso objetivo é um foco mais suave e de médio prazo."

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