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Mercados de fronteira crescem com busca por retornos maiores

Lilian Karunungan e Abhishek Vishnoi

14/02/2018 12h41

(Bloomberg) -- Os mercados menos desenvolvidos do mundo, com quase US$ 700 bilhões em valor de mercado, estão começando a reconquistar os investidores.

Os mercados de ações de fronteira estão atraindo mais dinheiro dos investidores porque as perspectivas de crescimento compensam seu tamanho e sua falta de liquidez, segundo David S. Grayson, cofundador da empresa de corretagem de ações Auerbach Grayson & Co., com sede em Nova York.

As conexões mais fracas com os mercados de capitais internacionais têm ajudado a proteger as economias de fronteira dos recuos globais, colocando seu valor de mercado combinado acima de US$ 700 bilhões em janeiro pela primeira vez em uma década. Os ativos administrados por fundos dedicados a ações de fronteira mais que dobraram desde 2010, para US$ 18,5 bilhões no fim de 2017, segundo dados compilados pela EPFR Global.

"É como uma nova classe de ativos", disse Grayson, cuja empresa se especializa em mercados emergentes e de fronteira, em entrevista, em Cingapura. "Nos últimos cinco anos, vimos também administradoras de fundos tradicionais que nunca tinham se envolvido com mercados de fronteira criarem fundos de fronteira como parte de suas famílias de fundos após terem sido abordadas por clientes em busca de exposição."

A seguir, algumas opiniões compartilhadas por Grayson na entrevista:

Quais são os riscos e recompensas de investir neles?

As pessoas estão começando a assumir esse risco e a colocar uma minúscula parcela de sua carteira para trabalhar em alguns mercados de fronteira. De forma geral, acredita-se que os mercados de fronteira têm um crescimento muito maior que os mercados desenvolvidos, disse Grayson;

Os países em desenvolvimento de baixa renda mais que dobrarão o ritmo de expansão das economias avançadas nos próximos anos, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional divulgadas no mês passado;

Os limites que enfrentam é que não há muita capacidade nem liquidez, disse Grayson. Em algum ponto, atinge-se a capacidade máxima e não se pode investir mais. Por outro lado, quando o mercado sofre um abalo, a fuga de recursos é menor.

Quais são suas principais escolhas entre os mercados de fronteira?

Myanmar, Gana, Vietnã e Argentina estão entre os mercados favoritos de Grayson, segundo ele;

Myanmar, com mais de 50 milhões de habitantes, é semelhante ao Vietnã de 30 anos atrás; em três anos passou de 1 por cento de penetração de telefones celulares para 90 por cento e tem uma população empreendedora jovem;

Gana tem um presidente e um ministro da Economia novos; está crescendo entre 6 por cento e 7 por cento e é um lugar seguro para visitar;

A Argentina governada pelo presidente Mauricio Macri está implementando enormes reformas tributárias.

Há algum risco cambial nesses mercados?

"O câmbio tem muito pouca importância, a menos que você esteja falando de um país onde a entrada e a saída de dinheiro são difíceis." Zimbábue e Nigéria são alguns exemplos;

Em geral, os investidores que entram nos mercados de fronteira tendem a ser fundos de mercados de fronteira. Com exceção dos mercados onde isto representa um problema, o risco cambial está incorporado a suas atribuições.

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