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Hedge de petróleo da Colômbia pode ampliar liquidez,volatilidade

Amy Stillman e Matthew Bristow

15/02/2018 12h03

(Bloomberg) -- Se decidir fazer hedge de sua produção de petróleo, a Colômbia poderia estimular vários contratos de futuros adicionais de centenas de milhões de dólares, adicionando liquidez, e possivelmente volatilidade, aos mercados do petróleo.

O país está apenas começando a estudar a medida. Se decidir levar a ideia adiante, o governo provavelmente usará o modelo mexicano para a estruturação do acordo, disse Harry Tchilinguirian, chefe de estratégia dos mercados de commodities do BNP Paribas.

O México tem um dos maiores hedges anuais de petróleo do mundo, gastando em média US$ 1 bilhão por ano na compra de opções de venda de bancos de Wall Street para fazer hedge de uma parcela de sua produção de 2 milhões de barris por dia. A Colômbia produz cerca de 60 por cento menos petróleo do que o México, mas um hipotético hedge estruturado sob condições similares poderia gerar mais de US$ 400 milhões em contratos de futuros.

O ministro da Fazenda Mauricio Cárdenas, em entrevista na terça-feira, preferiu não detalhar o tamanho e a estrutura de um possível hedge, dizendo apenas que seria "prematuro" fixar data para a iniciativa. Um representante da petroleira estatal Ecopetrol também preferiu não comentar sobre o possível hedge, afirmando que qualquer plano do tipo seria uma iniciativa do Ministério da Fazenda.

Ainda assim, qualquer possível hedge soberano teria tamanho considerável e poderia gerar um impacto significativo no mercado, disse Michael Tran, estrategista de commodities da RBC Capital Markets em Nova York.

"As posições de hedge das petroleiras privadas diminuíram significativamente para 12, 18 e 24 meses, portanto se grandes estados soberanos ou petroleiras nacionais avançarem ainda mais na curva de hedge, pode-se criar bolsões de iliquidez que talvez acabem gerando preços muito voláteis", disse Tran.

O hedge anual do México muitas vezes gera lucros, como o pagamento recorde de US$ 6,4 bilhões em 2015 após o colapso dos preços do petróleo. Mas os hedges estatais nem sempre são tão bem-sucedidos. Quando o Equador tentou travar os preços do petróleo em 1993, acabou perdendo US$ 18 milhões. Apesar de ter conseguido garantir um piso de US$ 14,88 por barril por meio de uma série de acordos, o governo do Equador não tinha proteção contra um aumento dos preços e suas opções de venda acabaram sendo inúteis porque o barril de petróleo subiu para uma média de US$ 15,85.

No caso da Colômbia, a implementação de um hedge exigiria mudanças na estrutura legal do país, que proíbe o governo de liderar transações financeiras arriscadas. Isso pode atrasar o processo em anos.

"O próprio México teve que convencer o Congresso de que seu programa de hedge não comprometeria a base de recursos naturais do país", disse Tchilinguirian, por telefone, de Londres. "Entre as declarações de intenção e a concretização há um longo caminho."

--Com a colaboração de Javier Blas

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