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Fundadores do Spotify não pretendem ceder controle da empresa

Lucas Shaw

21/02/2018 13h47

(Bloomberg) -- Os cofundadores do Spotify seguirão o exemplo do Google e do Facebook: para não abrir mão do controle sobre o serviço de música depois de chegar à bolsa, eles terão ações com poderes especiais de voto, segundo três pessoas a par do assunto.

O CEO, Daniel Ek, e o vice-presidente, Martin Lorentzon, possuem uma classe de ações que lhes garante o controle da empresa depois que as ações da companhia começarem a ser negociadas na bolsa, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as condições não são públicas. Outra classe de ações poderá ser negociada pelos investidores.

Isto significa que investidores públicos poderão ficar com parte do maior serviço pago de música do mundo nos próximos meses, mas não terão muito poder de decisão sobre seu futuro. Anos depois de abrir o capital, algumas das maiores empresas de tecnologia, como a Alphabet, matriz do Google, e o Facebook, continuam sendo controladas por fundadores que têm ações com direitos especiais de voto.

Fundadores de empresas usam estruturas com duas classes para tirar proveito dos benefícios de ter ações negociadas na bolsa sem abrir mão do controle. Esses donos podem realizar aquisições que diluem seus interesses econômicos sem perder poder.

Ek, que ajudou a fundar o Spotify há cerca de uma década em Estocolmo, se inspirou em empresas assim. Ele convidou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, a seu casamento e elogiou publicamente a diretoria da Snap, que não deu direito de voto a seus investidores quando abriu o capital da empresa em março do ano passado.

Sem abertura

Ek e Lorentzon já convenceram os acionistas a embarcar nesse caminho pouco convencional para chegar à bolsa. O Spotify, com sede em Estocolmo, pulará a abertura de capital, processo em que as empresas arrecadam fundos vendendo ações que podem ser negociadas nos mercados públicos. Em vez disso, os atuais investidores do Spotify serão autorizados a começar a vender ações no mercado público.

Esse processo é arriscado. A empresa e seus financistas pularam o tradicional roadshow que precede uma abertura de capital e talvez tenham menos informações sobre como possíveis investidores avaliarão a empresa.

"A maior incógnita é como a listagem direta vai funcionar", disse Rohit Kulkarni, analista da SharesPost, em entrevista. "Não há um roadshow formal. Não há uma clara preparação do cenário nem uma equiparação entre oferta e demanda."

Os investidores avaliaram o Spotify em até US$ 20 bilhões em operações privadas realizadas nos últimos meses, o que faz da empresa uma das startups mais valiosas do mundo, disseram as pessoas. O mercado secundário esteve muito ativo no segundo semestre do ano passado, mas desacelerou porque a estreia pública da empresa se aproxima.

O Spotify planeja cotar ações no fim de março ou no começo de abril, disse uma das pessoas. A empresa tirou a indústria musical de 15 anos de declínio ao convencer mais de 70 milhões de pessoas a pagar por uma assinatura mensal de música. As vendas do setor cresceram por três anos consecutivos, e as do Spotify chegaram a US$ 5,2 bilhões em 2017, segundo estimativas.

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