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Falta de vistos leva bancos dos EUA a rever contratações

Yueqi Yang e Dimitrios Pogkas

22/02/2018 14h32

(Bloomberg) -- Grandes bancos dos EUA, que vinham tentando contratar mais estrangeiros nos últimos anos sob o programa de vistos H-1B, estão sendo obrigados a reconsiderar essa abordagem após o governo do presidente Donald Trump dificultar a liberação de permissões de trabalho.

Oito importantes bancos de investimento aumentaram as solicitações de vistos H-1B para trabalhadores altamente qualificados em quase 60 por cento em cinco anos. Foram mais de 7.000 pedidos no ano fiscal de 2017, de acordo com uma análise dos dados de solicitação de vistos realizada pela Bloomberg.

Para recrutar pessoal, bancos como JPMorgan Chase e Goldman Sachs Group vêm usando abordagem similar à das empresas de tecnologia, que são as que mais utilizam esses vistos. Para contratar estrangeiros sob o programa, as companhias competem em uma loteria realizada pelo governo pelos 85.000 vistos de permissão de trabalho disponíveis anualmente.
O setor de bancos de investimento e corretoras só recebeu 1,2 por cento dos vistos H-1B aprovados no ano fiscal de 2016. Aproximadamente dois terços dos pedidos de H-1B apresentados no ano passado pelos oito bancos eram para profissionais de tecnologia e engenharia, de acordo com a análise.

Durante a campanha presidencial, Trump declarou que pretendia acabar com o uso de vistos H-1B, ao qual ele se referiu como "programa para mão de obra barata", afirmando que as empresas deveriam contratar primeiro trabalhadores americanos. Trump no ano passado deu uma ordem executiva que concede vistos H-1B para "os solicitantes mais habilidosos e mais bem pagos", o que levou alguns bancos a adotar outra abordagem.

A taxa de aprovação dos solicitantes selecionados para participar na loteria caiu de 92 por cento em agosto para 82 por cento em novembro, segundo dados dos Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA.

Alguns parlamentares apresentaram propostas de lei para reformular o programa H-1B, mas o Congresso ainda não tratou da questão. Os parlamentares estão em um impasse quanto a questões mais urgentes de imigração, incluindo o destino de menores trazidos para os EUA sem a devida documentação.

Alguns bancos tentam contratar gente que não precisa de autorização para trabalhar, embora continuem utilizando os vistos para engenheiros, analistas quantitativos e outras posições que dificilmente são preenchidas por americanos.

Por exemplo, o Barclays desistiu de contratar estrangeiros que precisam de visto para trabalhar nas divisões de banco de investimento nos EUA, que antes recebiam muitos desses profissionais. Segundo pessoas a par da decisão, a instituição teme que essas pessoas sejam forçadas a sair do país. O Citigroup abriu vaga para um programa de analista de tecnologia, mas avisa que os candidatos precisam ter permissão para trabalhar nos EUA e que não vai patrocinar um visto.

Dificuldades de contratação

Problemas com vistos estão limitando a capacidade do setor financeiro de contratar os melhores profissionais, segundo Blake Miller, advogado de imigração do escritório Fragomen, Del Rey, Bernsen & Loewy, de Irvine, na Califórnia.

"Está fazendo com que as empresas hesitem em contratar trabalhadores que foram considerados candidatos muito desejáveis", disse Miller, que representa clientes no setor financeiro. "Às vezes, eles precisam partir para o próximo candidato."
Jamie Dimon, presidente do JPMorgan, afirma que o país deveria abrir os braços para trabalhadores qualificados do exterior.

"Quem conseguir um diploma de faculdade aqui ou um diploma avançado deveria receber um green card, como faz o Canadá", ele declarou no mês passado. "Muitas empresas estão abrindo operações no Canadá porque podem contratar essas pessoas e nós não. É uma burrice os EUA fazerem isso."

O JPMorgan, sediado em Nova York, solicitou mais de 2.000 vistos H-1B no ano fiscal de 2017, o maior número entre os oito bancos de investimento. Ainda é menos da metade do total de solicitações apresentadas pela Amazon.com ou pela Microsoft.

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