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CEO da Airbus promete permanência no Reino Unido após Brexit

Alex Morales e Benjamin Katz

(Bloomberg) -- O CEO da Airbus, Tom Enders, prometeu pessoalmente ao governo do Reino Unido que a empresa planeja manter suas operações britânicas "por muito tempo no futuro", uma mudança drástica em relação às duras críticas ao divórcio da União Europeia.

A promessa de Enders foi feita neste mês em carta ao secretário de Negócios britânico, Greg Clark, segundo um integrante do governo que preferiu não ser identificado por citar uma correspondência privada. Trata-se de uma mudança drástica de posição, considerando a postura pública de Enders no passado recente de condenar o Brexit, segundo ele uma ameaça à indústria.

Enders escreveu que a gigante aeroespacial continuaria vendo o Reino Unido como "país de origem e um lugar competitivo para investir". A referência ao termo "país de origem" é um aceno aos 15.000 funcionários britânicos da empresa. Esse status dá às divisões nacionais da Airbus prioridade e influência nas decisões sobre produção e estratégia.

A carta vem à tona em um momento em que as fabricantes britânicas estão ficando cada vez mais nervosas em relação aos possíveis efeitos do Brexit, como a perda do acesso a trabalhadores europeus qualificados e o aumento dos controles aduaneiros aos componentes. Um porta-voz da Airbus britânica não pôde responder imediatamente às perguntas enviadas após o horário normal de trabalho.

Um porta-voz da Airbus preferiu não comentar.

Ajuda a May

O apoio de Enders oferece uma ajuda oportuna à primeira-ministra Theresa May e amplia o arsenal de argumentos dela de que o acordo do Brexit que está negociando não prejudicará os empregos britânicos.

A declaração de confiança pode levantar questionamentos sobre a possibilidade de ter sido uma resposta às mudanças no acordo de financiamento negociado pela Airbus pela primeira vez há quase duas décadas com países como o Reino Unido e que permitiu que a empresa desenvolvesse o jumbo A380. A fabricante informou na quarta-feira que as obrigações futuras de adiantamentos reembolsáveis caíram mais de US$ 1,4 bilhão e a maior parte do desconto vem de revisões na perspectiva para o A380 e de negociações para reestruturação do acordo.

A Airbus não informou detalhes dos termos fechados com os países e o Departamento de Negócios do Reino Unido preferiu não comentar o assunto.

Outro possível impulso gerado pela carta foi a encomenda de US$ 16 bilhões da fabricante feita por seu maior cliente, a Emirates, anunciada em 18 de janeiro. O acordo ajudou a tirar o programa A380 da beira do precipício, prolongando a produção até 2029.

'Estabilidade'

A missiva falou sobre oferecer "estabilidade de planejamento" a milhares de funcionários que trabalham no programa A380 nas instalações da Airbus em Broughton, no norte do País de Gales, e em Filton, perto de Bristol, e descreve as fábricas como algumas das mais produtivas da empresa.

A Airbus emprega 6.000 pessoas em Broughton e 4.000 em Filton. Pelo menos sete países tentam aproveitar o Brexit para arrebatar o domínio de cinco décadas do Reino Unido na construção de asas para a Airbus oferecendo uma parcela do trabalho de fabricação de alto valor e precisão.

França, Alemanha e Espanha, dentro da UE, além de EUA, China, México e Coreia do Sul abordaram a Airbus para discutir futuros trabalhos de construção de asas.

Embora a carta de Enders não afirme que o Reino Unido será selecionado para a construção de asas para futuros modelos de aeronaves, sua indicação de que a empresa vê um futuro a longo prazo no Reino Unido e pretende ampliar a colaboração com o governo em pesquisa e desenvolvimento pode acalmar um pouco o nervosismo dos funcionários britânicos da empresa.

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