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Mineradora prevê grande receita com bateria de lítio usada

David Stringer

23/03/2018 12h28

(Bloomberg) -- A reciclagem de material de lítio de baterias usadas de veículos elétricos promete ser ainda mais lucrativa do que a mineração desse metal cada vez mais valioso, de acordo com uma produtora australiana que está construindo uma instalação de teste no Canadá.

A Neometals, com sede em Perth, está trabalhando para recuperar matérias-primas, como lítio, cobalto, níquel e cobre, de baterias vencidas em uma instalação em Montreal, com o objetivo de adicionar a produção oriunda da reciclagem à produção existente obtida com a mineração.

A revolução dos veículos elétricos provocou um aumento na demanda por matérias-primas de bateria, o que elevou os preços e desencadeou uma corrida para garantir novas fontes de abastecimento. Como os custos crescentes e o aumento da concorrência estão pressionando as margens da mineração, a reciclagem do metal de baterias usadas deve se tornar um recurso cada vez mais importante, estimulado pela regulamentação governamental que pretende manter o metal longe dos aterros sanitários, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

"Com a fábrica-piloto, esperamos provar que ela fornece uma margem líquida melhor", disse Mike Tamlin, diretor de operações, em entrevista por telefone. "Os números parecem ser muito melhores do que se estivéssemos fazendo a extração primária de um minério."

"O mundo precisa reciclar para que não nos afoguemos em um mar de baterias. A reciclagem também tem o potencial de produzir componentes a um custo menor", disse Tamlin, na quinta-feira. "Além disso, sempre precisaremos de novas matérias-primas." A Neometals é parceira na mina de lítio Mt. Marion, na Austrália, e tem dois outros projetos de desenvolvimento no país.

A American Manganese, que está desenvolvendo a desmontagem automatizada de baterias, prevê que o estoque de baterias de íons de lítio usadas vai triplicar no período de 10 anos que terminará em 2025 e relatou testes que extraíram 100 por cento do lítio e do cobalto do pó de cátodo das baterias. A chinesa Tianqi Lithium, que está construindo a maior usina de processamento de lítio do mundo, planeja trabalhos de pesquisa e desenvolvimento sobre reciclagem, disse Phil Thick, gerente-geral da unidade australiana da produtora, em entrevista na segunda-feira.

A Neometals poderia demorar até 2019 para tomar a decisão de investir na construção de uma instalação de reciclagem, porque testar e refinar o processo exige mais trabalho. "Para fabricar a bateria, foi necessário misturar diversos elementos", disse Tamlin. "Conseguir separá-los também exige certo trabalho, precisamos de uma boa solução química, e é isso o que estamos desenvolvendo."

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