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Favorito mostra que Fed escorrega nos esforços pela diversidade

Jeanna Smialek

(Bloomberg) -- O banco central dos EUA enfrenta críticas pela falta de diversidade no alto escalão, após John Williams, atual responsável pelo escritório regional do Federal Reserve em São Francisco, ser apontado como principal candidato à sucessão de William Dudley no comando do poderoso escritório do Fed em Nova York.

Trata-se de um dos cargos mais importantes entre todos os bancos centrais do planeta. O escritório do Fed em Nova York supervisiona Wall Street e tem voto permanente no comitê de política monetária. A própria área responsável pela busca do sucessor deu importância à diversidade como critério para preencher a vaga, contratando uma firma de recrutamento especializada em mulheres e minorias.

No entanto, os diretores do Fed de Nova York identificaram Williams, 55 anos, como um dos principais candidatos ao posto, de acordo com uma fonte que pediu anonimato.

Segundo publicação do The Wall Street Journal no sábado, Williams é o favorito, mas ainda não foi tomada uma decisão final. Porta-vozes dos escritórios do Fed em Nova York, São Francisco e Washington se recusaram a comentar a notícia.

Para muitos, a escolha dele seria um final decepcionante para um processo que descartou outros candidatos com excelentes credenciais, como Peter Blair Henry, reitor emérito da Faculdade de Administração Leonard N. Stern, da Universidade de Nova York, que é negro, e mulheres como a ex-diretora do Departamento do Tesouro, Mary J. Miller. Ao mesmo tempo, surgiram notícias de que a Casa Branca optou por Richard Clarida, outro homem branco, como principal candidato à vice-presidência do conselho do Fed.
'Status quo'

"A escolha parece reforçar o status quo: uma mulher tem de ser perfeitamente qualificada para obter um cargo importante, enquanto um homem pode ter lacunas significativas no currículo e ainda assim sair à frente", escreveu Julia Coronado, fundadora da MacroPolicy Perspectives e integrante do painel de assessoria econômica do Fed de Nova York. Ela ressaltou que Williams demonstra pouco interesse pelo funcionamento dos mercados.

Williams é um economista monetário de primeira linha e fez carreira no banco central. Ele sucedeu Janet Yellen no Fed de São Francisco, que é o maior escritório regional após o de Nova York. Ele é admirado na casa, famoso por suas pesquisas e considerado formador de opinião no Comitê de Mercado Aberto (FOMC), que determina os juros.

Mas Williams frequentemente admitiu que não se atem às oscilações diárias dos mercados e enfatiza que a mesa dele não tem um Terminal Bloomberg. Faz sentido para um economista que se concentra no longo prazo, mas talvez não para o responsável pelo Fed de Nova York, que precisa ficar de olho nos bancos e nos mercados.

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