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Pequenos mineradores de bitcoin serão 'engolidos' por grandes, dizem analistas

Olga Kharif

18/04/2018 12h37

(Bloomberg) -- O bitcoin chegou a um ponto de inflexão. Mesmo com o preço novamente acima de US$ 8.000 muitos dos chamados mineradores, que realizam cálculos complexos para gerar a moeda digital, correm o risco de se tornarem deficitários.

Se os preços voltarem a estacionar abaixo desse patamar por um período prolongado, provavelmente haverá uma consolidação mais rápida da mineração em escala industrial. O fenômeno poderia derrubar as últimas operações daqueles indivíduos que operam sozinhos em seus quartos e deixar os detentores da moeda vulneráveis às ordens dos grandes mineradores.

"A situação neste ano é totalmente diferente da do ano passado", disse o capitalista de risco do Vale do Silício Bill Tai, em entrevista. "A indústria da mineração de bitcoins era misteriosa e sombria, mas agora está prestes a crescer e a ter elementos de escalabilidade institucional em todos os níveis."

Os mineradores menores desistirão e apenas cinco a dez dos maiores sobreviverão e serão rentáveis, disse Tai, que é presidente do conselho da Hut 8 Mining, braço de financiamento de capital na América do Norte da Bitfury Group, empresa com sede em Amsterdã que é uma das maiores fabricantes de equipamentos para mineração de criptomoedas.

Quando o preço do bitcoin se aproximou dos US$ 19 mil, no ano passado, a Bitfury precisou rejeitar alguns clientes porque entrou US$ 1,9 bilhão em encomendas, disse.

Concentração pode influenciar preço do bitcoin

A concentração maior também poderia influenciar fortemente o preço do bitcoin. As mineradoras detêm de 20% a 30% de todos os bitcoins, segundo Lucas Nuzzi, analista sênior da Digital Asset Research.

A Bitfury, por si só, minerou mais de 1 milhão de bitcoins, disse Tai. A empresa já vendeu moedas para custear as despesas operacionais. Se os mineradores forem forçados a vender mais, o preço do bitcoin pode cair.

O poder de mineração --chamado hashrate-- agregado em menos mãos também aumenta o risco de alguns mineiros se unirem para executar o chamado ataque dos 51%-- no qual controlariam um volume de transações suficiente para determinar mudanças no desenvolvimento do blockchain para atender às suas preferências.

"Isso pode ser perigoso em termos de segurança porque uma única entidade poderia usar seu poder de 'hashrate' para fazer grandes mudanças na rede", disse Nuzzi.

Grandes mineradores despontam

Os maiores mineradores estão ficando maiores. A Bitmain, que é a líder do setor e administra os dois maiores grupos de mineração de bitcoin da China, abriu escritórios na Suíça e nos EUA e estuda oportunidades de expansão em todo o mundo.

A Bitfury levantará mais de US$ 100 milhões nos próximos seis meses para produzir e vender parques de servidores de mineração portáteis, cada qual a um custo de pelo menos US$ 2 milhões, disse Tai.

Além disso, está abrindo parques próprios adicionais no Oriente Médio e na África e se expandindo no Canadá. A Bitfury é lucrativa pelos preços atuais, em grande parte devido à economia de escala, disse Tai.

Muitos mineradores menores estão tentando reduzir custos transferindo-se para lugares como Springfield, no Missouri, EUA, onde edifícios inteiros --fábricas e concessionárias de automóveis abandonadas-- podem ser comprados por cerca de apenas US$ 10 o metro quadrado.

O custo da eletricidade necessária para minerar um único bitcoin é de pelo menos US$ 3.224 e pode ser de mais de US$ 9.000 dependendo do estado, segundo estimativas da Crescent Electric Supply Company.