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P&G acaba com boicote a propaganda no YouTube, mas tem um porém

Mark Bergen

20/04/2018 12h10

(Bloomberg) -- A Procter & Gamble, um dos maiores anunciantes do mundo, tirou seus anúncios do YouTube durante mais de um ano devido a preocupações com conteúdos impróprios. Agora a companhia voltará ao site de vídeos, mas muito mais seletiva do que antes.

A gigante de bens de consumo informou a suas marcas nesta semana que elas podem comprar propagandas no YouTube, segundo a empresa com sede em Cincinnati. A P&G, que é dona de marcas como Crest e Tide, parou de gastar com o YouTube em março de 2017, após protestos contra vídeos extremistas e com outros conteúdos perturbadores. O boicote contagiou outros anunciantes de peso, o que levou o Google, que pertence à Alphabet, a modificar as políticas do YouTube e a contratar mais moderadores humanos para limpar o serviço.

"Interrompemos as propagandas e, nos últimos 12 meses, trabalhamos bastante com o YouTube para melhorar a segurança da marca", disse Tressie Rose, porta-voz da P&G, em comunicado. "Sentimos que agora as medidas certas estão em vigor para que as marcas da P&G tenham a opção de anunciar no YouTube."

Na quinta-feira, a CNN informou que mais de 300 anunciantes veiculavam anúncios, sem saber, em vídeos do YouTube que defendiam a supremacia branca, a pedofilia e outras opiniões extremistas. Quando consultada se pretendia retornar ao serviço de vídeo depois dessa notícia, a P&G confirmou a decisão.

"Agradecemos a parceria com a P&G e esperamos continuar trabalhando com eles", afirmou o YouTube em um comunicado.

No entanto, a P&G agirá de outro modo desta vez. A companhia planeja anunciar apenas em vídeos previamente analisados e aprovados. Esses clipes virão de menos de 10.000 canais do YouTube, de acordo com a P&G. A empresa antigamente anunciava através de cerca de 3 milhões de canais do YouTube. A P&G não quis comentar sobre o valor que gastará no serviço de vídeo.

Ainda assim, reconquistar a P&G é uma vitória para o Google. O boicote contra os anúncios no YouTube ofuscou o brilho de uma das unidades que mais crescem da gigante da internet. Não se sabe exatamente qual foi o impacto financeiro, porque o Google não informa os resultados do YouTube e os negócios de publicidade da empresa como um todo continuaram crescendo.

Em uma teleconferência de resultados em fevereiro, o CEO da Google, Sundar Pichai, disse aos investidores que a empresa estava trabalhando para "responder fortemente" às preocupações dos anunciantes com o YouTube.

O Google deu aos profissionais de marketing mais controle sobre onde e como veicular anúncios no YouTube. Em janeiro, foi lançado um conjunto abrangente de alterações, incluindo uma promessa de analisar manualmente todos os anúncios no Google Preferred, uma coleção mais cara de vídeos mais populares. A P&G continuou longe após essas mudanças e agora obterá um controle ainda maior.

Marc Pritchard, diretor de marca da P&G, foi um dos críticos mais diretos da crescente automação da publicidade digital, um setor que o Google domina. Em uma conferência no começo de 2017, Pritchard denunciou o setor por não restringir adequadamente os problemas de fraude e mensuração de anúncios. "Não queremos desperdiçar tempo e dinheiro em uma cadeia de abastecimento de mídia de baixa qualidade", disse ele na época.