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Ricos tentam comprar uma vida mais longa

Ben Steverman

20/04/2018 11h26

(Bloomberg) -- O dinheiro pode não comprar amor, mas pode comprar uma saúde melhor. E, para viver o maior tempo possível, os ricos do mundo estão dispostos a pagar uma nota.

Nas últimas décadas, a expectativa de vida de uma pessoa média aumentou em quase todos os lugares do mundo. Na China, nos EUA e na maior parte da Europa Oriental, a média da expectativa de vida ao nascer chegou a mais de 75 anos, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). As pessoas na Europa Ocidental e no Japão, por sua vez, podem esperar viver pouco mais de 80 anos.

A maioria das pessoas ricas, no entanto, espera viver mais --na verdade, muito mais: cerca de duas décadas a mais que a média. Em uma nova pesquisa da UBS Financial Services, 53% dos investidores ricos disseram que esperam chegar aos 100 anos de idade.

Chegar aos três dígitos não será fácil, mas não é tão incomum quanto antigamente. Uma mulher japonesa comum agora tem uma expectativa de vida de 87 anos, segundo dados da OCDE, em comparação com 81 anos para os homens. E muitos estudos mostraram que os ricos têm uma vantagem intrínseca de longevidade.

Nos EUA, por exemplo, o 1% mais rico das mulheres americanas por renda vive mais de 10 anos a mais do que o 1% mais pobre, segundo um estudo de 2016 publicado no "Journal of American Medical Association". Para os homens, a diferença entre os americanos mais ricos e mais pobres é de quase 15 anos.

Saúde mais importante que a riqueza

Os ricos também parecem saber que viver até os 100 é uma perspectiva cara, que requer mais gastos com saúde, melhor alimentação, exercícios e outros serviços que podem prolongar a vida. Além disso, é necessário pagar também por tudo o que surgir nessas décadas adicionais.

Na pesquisa do UBS, que se concentrou em pessoas com mais de US$ 1 milhão em ativos que podem ser investidos, 91% disseram que estão "fazendo mudanças financeiras devido ao aumento da expectativa de vida". Até mesmo os ricos estão preocupados com os custos crescentes de saúde, sugere a pesquisa.

Os ricos estão mais do que dispostos a sacrificar dinheiro pela longevidade extra. Nove de dez pessoas ricas concordaram que "a saúde é mais importante do que a riqueza".

Quanto vale 10 anos a mais de vida?

A UBS perguntou quanto de sua fortuna elas estariam dispostas a sacrificar "para garantir 10 anos extras de vida saudável", e as respostas médias variaram de acordo com o nível de riqueza.

Investidores que mal são milionários, com US$ 1 milhão a US$ 2 milhões em patrimônio líquido, estavam dispostos a abrir mão de um terço de suas economias em troca de uma década adicional de vida. Investidores com mais de US$ 50 milhões estavam dispostos a desembolsar quase metade de sua fortuna.

A tendência mundial para uma vida mais longa tem apresentado uma exceção nos últimos anos --os EUA. A expectativa de vida dos americanos diminuiu por dois anos consecutivos, uma anomalia que pode ser atribuída em parte à crise do uso abusivo de opiáceos no país.

Mas, mesmo antes que o tempo de vida nos EUA começasse a diminuir por causa do uso de drogas, os dados estatísticos de saúde e longevidade ficavam muito aquém dos de outros países ricos da Europa Ocidental e da Ásia.