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Deutsche Bank estuda reduzir negócio de ações nos EUA: Fontes

Steven Arons e Eyk Henning

24/04/2018 12h15

(Bloomberg) -- Há apenas duas semanas no cargo, o CEO do Deutsche Bank, Christian Sewing, estuda um recuo que pode marcar o fim de duas décadas de tentativas do banco de competir com Wall Street.

Sewing avalia grandes cortes na negociação de ações nos EUA e pode anunciar os detalhes como parte de uma reestruturação mais ampla do banco de investimento da instituição na divulgação de resultados, na quinta-feira, disseram pessoas a par do assunto à Bloomberg. Elas pediram anonimato porque os detalhes são confidenciais.

Se a medida se concretizar, sinalizará efetivamente um foco maior no negócio de menor risco de bancos privados e comerciais em seu mercado doméstico europeu. Sob o comando dos antecessores de Sewing, o banco de investimentos do Deutsche Bank se transformou no maior da Europa, com a ambição de competir diretamente com firmas dos EUA. John Cryan, que começou a reverter essa iniciativa nos últimos anos, foi tirado do cargo neste mês pela lentidão para executar uma nova estratégia.

O conselho de supervisão do banco discutirá o futuro do banco de investimentos na quarta-feira. Nenhuma decisão final foi tomada, segundo as pessoas.

Os possíveis cortes do negócio de ações nos EUA, em que os custos ultrapassaram as receitas mesmo após um bull market que se estendeu por quase uma década, seriam um "primeiro passo na direção certa", disse Stefan Müller, diretor da butique financeira DGWA, com sede em Frankfurt. Ele disse que o banco provou que é "incapaz de ganhar dinheiro com esse negócio, independentemente das circunstâncias do mercado".

'Suficientemente rentável'

Segundo pesquisa do JPMorgan Chase, a divisão de ações das Américas registrou receita de cerca de 600 milhões de euros (US$ 733 milhões) no ano passado. O analista-chefe Kian Abouhossein estima que a unidade tenha gastado cinco dólares para cada quatro que ganhou.

No primeiro comunicado aos funcionários, Sewing adotou uma postura linha-dura em relação aos custos, dizendo que o banco se retirará de áreas que "não forem suficientemente lucrativas". O banco informou no balanço anual que as receitas com títulos negociáveis pouco mudaram em relação a 2016, sem fornecer números.

Uma porta-voz do Deutsche Bank, que tem sede em Frankfurt, preferiu não comentar.

As negociações de ações, normalmente são um dos principais negócios dos bancos de investimento, mas a regulação e a tecnologia o tornaram menos rentável nos últimos anos.

"Um recuo seria uma faca de dois gumes", disse Markus Riesselmann, analista da Independent Research, que mantém recomendação de venda para as ações. "Provavelmente seja tarde demais para o Deutsche Bank recuperar sua competitividade em negociação de ações nos EUA e em outras áreas do setor de banco de investimento. Mas a decisão levanta dúvidas sobre se Sewing conseguirá um crescimento de receita."

--Com a colaboração de Jan-Henrik Foerster Sonali Basak e Nick Baker