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Muitas farmacêuticas miram os mesmos alvos, diz Sanofi

James Paton

25/04/2018 16h00

(Bloomberg) -- Muitas empresas farmacêuticas estão se aglomerando nas mesmas áreas em busca de tratamentos, gastando tempo e dinheiro que poderiam ser gastos na procura de abordagens mais inovadoras, de acordo com Elias Zerhouni, chefe de pesquisas da Sanofi.

Os laboratórios precisam procurar novas formas de obter uma vantagem competitiva, já que muitos deles competem para ser o primeiro a chegar ao mercado com terapias semelhantes, disse Zerhouni, que dirigiu os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês) antes de começar a trabalhar na Sanofi, com sede em Paris.

"Há uma enorme duplicação de iniciativas" em pesquisa e desenvolvimento, disse Zerhouni, 67, em entrevista. "Para uma empresa, é muito caro fazer um remédio. E 10 empresas tentam fazer o mesmo remédio e depois só uma será recompensada, no máximo duas."

A pressão crescente sobre os preços e a queda dos retornos dos investimentos em pesquisa levaram as grandes empresas a buscar maximizar a aplicação de fundos e aumentar o uso de dados e tecnologias para encontrar novos produtos. Algumas, como a GlaxoSmithKline, reduziram suas carteiras para se concentrarem nos programas mais promissores e outras, como a Novartis, estão saindo do segmento de saúde do consumidor para alocar mais recursos em inovação.

Dúvidas

O setor é "capaz de produzir múltiplos sucessos com o mesmo alvo", disse Zerhouni. "Mas a pergunta é: 'Estamos indo atrás dos objetivos certos e estamos avançando o suficiente na ciência para atender às necessidades não satisfeitas?'."

Apesar de os retornos sobre os investimentos em pesquisa terem diminuído, os avanços científicos geraram muitos progressos nos últimos dez anos, disse Zerhouni. Os estudos da própria Sanofi com macacos no ano passado mostraram que os anticorpos de três braços feitos com engenharia genética poderiam proporcionar uma nova maneira de tratar ou prevenir o HIV.

A abordagem de atingir múltiplos objetivos com um único tratamento é mais promissora do que desenvolver medicamentos "por três caminhos diferentes e depois esperar combiná-los", disse ele.

Carreira

Nascido e educado na Argélia, Zerhouni se mudou para os EUA na década de 1970 e se uniu à equipe da Faculdade de Medicina da Johns Hopkins University, onde se tornou chefe do departamento de radiologia. De 2002 a 2008, dirigiu os NIH durante a presidência de George W. Bush, onde supervisionou as iniciativas da agência para reforçar as defesas contra possíveis ataques de bioterrorismo e instituiu novas regras sobre conflitos de interesses. Começou a trabalhar na Sanofi em 2009 como consultor científico do CEO e assumiu seu cargo atual em 2011.

Sua saída ocorre em um momento em que a farmacêutica francesa procura novos medicamentos para tratar tudo, do câncer à obesidade, para compensar a queda da demanda de seu produto mais vendido, o remédio para a diabetes Lantus.

Zerhouni será substituído por John Reed, ex-executivo da Roche Holding.

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