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Figurinhas da Copa na Suíça custam três vezes mais que no Brasil

David Biller

26/04/2018 12h25

(Bloomberg) -- A sede da Fifa pode até estar em Zurique, mas isso não significa que os suíços se beneficiem de algum tipo de acordo especial na hora de reunir centenas de figurinhas da Copa do Mundo; em nenhum outro lugar do planeta essa coleção é tão cara quanto lá.

Um pacote com cinco figurinhas, que os fãs de futebol usam para completar um álbum com a seleção de cada país, custa o equivalente a US$ 1,8 no país europeu, o triplo do preço no Brasil, US$ 0,59. Para Luciano Sobral, economista do Banco Santander, este fato pode oferecer aos torcedores uma oportunidade de ganhar dinheiro.

"Em teoria, sim, poderia haver arbitragem", disse Sobral por telefone com uma gargalhada. "Se você conseguir encher uma mala no Brasil e levá-la para a Suíça, seu ganho em termos percentuais seria grande."

Como produtos padronizados e globalizados, as figurinhas deveriam ser úteis para avaliar o poder de compra, assim como o índice Big Mac da The Economist, disse Sobral.

A Panini Group, com sede em Modena, na Itália, vende figurinhas para todos os torneios desde a edição de 1970 no México, e crianças e adultos trocam figurinhas rapidamente para conseguir os jogadores necessários para completar o álbum antes do início do campeonato - que neste ano será realizado na Rússia a partir de 14 de junho. Multidões de colecionadores trocando figurinhas são uma imagem comum em todo o Brasil nos meses que antecedem o evento futebolístico. Na Copa do Mundo de 2014, até a então presidente Dilma Rousseff entrou no frenesi.

A variação de preços em todo o mundo é semelhante à do Big Mac, segundo a análise de Sobral dos dados de preços disponíveis de 21 países e da zona do euro, embora a correlação entre preços e PIB per capita seja "muito mais fraca", talvez devido à mão de obra local necessária para os sanduíches. A maior divergência no preço da figurinha foi entre a América Latina, particularmente o Brasil, e o Leste Europeu, de acordo com seu relatório de 24 de abril.

"Tenho poucos dados para tirar uma conclusão", disse Sobral. "Primeira possibilidade é tema de posicionamento de mercado; como o Brasil é um país muito grande, tem de longe o maior mercado da América Latina, talvez eles prefiram ganhar em volume do que em margem. Entao fazem a figurinha barata para vender bastante."

Telefonemas e e-mails para a Panini ficaram sem resposta.

Ao todo, são necessárias 682 figurinhas para completar a coleção. Sobral coleciona as figurinhas desde criança, e 2018 é o primeiro ano em que ele coleciona com o próprio filho. Eles ainda precisam de cerca de 100 para preencher o álbum antes do início do torneio, em junho, disse ele.

Se um colecionador fosse preencher o álbum sem negociar com outros, isso significaria comprar em média 967 pacotes, de acordo com uma fórmula de Paul Harper, professor da Escola de Matemática da Universidade de Cardiff. Isso custaria US$ 1.741 na Suíça e US$ 570 no Brasil.

--Com a colaboração de Leonardo Lara e Tariq Panja