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Trading de commodities prevê grande excedente no mercado de café

Marvin G. Perez

30/04/2018 12h46

(Bloomberg) -- A safra abundante do Brasil provavelmente criará um "excedente significativo" no mercado de café na próxima temporada, segundo a gigante do trading de commodities Olam International.

A produção excederá o consumo no período 2018/2019, que começa em outubro, em contraste com o déficit da atual temporada, disse Vivek Verma, diretor administrativo e chefe global de café da Olam, em entrevista por telefone na quinta-feira, de Cingapura.

Se a oferta brasileira atender às expectativas, é provável que os estoques esgotados sejam reabastecidos, especialmente com café robusta, disse.

No entanto, os preços não refletem plenamente as condições atuais de oferta restrita, acrescentou Verma, devido às "agressivas" apostas pessimistas dos fundos de hedge. Os futuros do arábica negociados em Nova York caíram cerca de 7 por cento nos últimos 12 meses.

"O preço pode fica bem mais alto se e quando os fundos começarem a reverter suas posições", disse ele.

Mesmo com o excedente projetado para o ano que vem, as tradings estão muito preocupadas com as perspectivas de produção de longo prazo, dado o "enorme desafio" representado pelas mudanças climáticas, disse Verma. As safras de café estão ameaçadas pelo desmatamento, pelas temperaturas extraordinariamente altas, pela falta de chuvas e por pragas.

Projeto de sustentabilidade

É em parte por causa dessas preocupações que a Olam está levando adiante sua mais recente iniciativa de sustentabilidade, a AtSource, que inclui um painel digital que ajudará a monitorar a origem de commodities como café e cacau. Os clientes poderão ver de onde vem a oferta e sob quais condições ela foi cultivada. Entre os demais dados monitorados pela plataforma estão o uso de água e de pesticidas, a saúde do solo, as práticas de trabalho e os meios de subsistência dos agricultores.

Além de ser "a coisa certa a se fazer", a iniciativa é também uma forma de a Olam ajudar os clientes com o cumprimento de metas sociais e ambientais, disse Verma.

A Olam administra cerca de 8 por cento a 10 por cento da oferta global de café, o que a torna uma das maiores tradings da commodity. A empresa com sede em Cingapura tem usinas espalhadas pelo mundo e fazendas em quatro países. A Olam planeja "maximizar" e continuar investindo no lado produtivo do negócio, disse Verma.

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