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Jovem japonês quer criar gigante da imprensa sem jornalistas

Shoko Oda

28/05/2018 12h00

(Bloomberg) -- No dia 13 de fevereiro do ano passado, o meio-irmão do ditador norte-coreano Kim Jong-Un foi assassinado em um aeroporto na Malásia. O Departamento de Estado dos EUA concluiu que o incidente foi provocado por um agente nervoso. Enquanto a Coreia do Norte e a Malásia se debatiam em uma disputa diplomática, um empreendedor no Japão e seu incipiente serviço de notícias estavam prestes a chamar a atenção.

A notícia da morte de Kim Jong-Nam foi rapidamente captada no Japão: não por um dos gigantescos conglomerados de mídia do país, mas por uma pequena startup. A JX Press, um empreendimento de tecnologia de notícias fundado por Katsuhiro Yoneshige em 2008, quando ele ainda era um calouro na faculdade, noticiou o incidente mais de meia hora antes que os grandes nomes do setor, de acordo com um observador. A startup fez isso mesmo sem ter jornalistas, muito menos um escritório internacional.

"O NewsDigest divulgou o furo às 19h52, e as emissoras de TV, por volta das 20h30", escreveu o sociólogo Noritoshi Furuichi no Twitter, depois das notícias sobre a morte de Kim. "A televisão sucumbiu e revelou ser um veículo lento."

O segredo da JX Press é uma combinação de rede social e inteligência artificial. Yoneshige e sua equipe desenvolveram uma ferramenta, usando aprendizagem de máquina, para encontrar notícias de última hora em publicações de redes sociais e escrevê-las como matérias. Essencialmente, é uma redação composta por engenheiros.

A reportagem do NewsDigest sobre Kim Jong-Nam "foi muito comentada entre as emissoras de TV em Tóquio", disse Yoneshige. "Recebemos muitas consultas de instituições da imprensa. Elas queriam experimentar nosso sistema."

Situação delicada

Yoneshige, de 29 anos, percebeu a situação delicada da imprensa japonesa quando escrevia para um site de notícias sobre companhias aéreas, na época em que cursava o ensino fundamental e médio. O setor tem funcionários demais e não ganha dinheiro suficiente, diz ele.

A startup de Yoneshige é um exemplo de como os empreendedores da geração Y utilizam as redes sociais para criar negócios com uma nova concepção sobre o modo de funcionamento de determinado setor. Também é um estudo de caso sobre como o Japão está encontrando maneiras de lidar com um dos seus problemas mais urgentes: uma escassez de mão-de-obra que só vai piorar à medida que a população envelhece.

A JX Press, com sede em Tóquio, tem 24 funcionários com idade média de 29 anos, e dois terços deles são engenheiros. A empresa tem dois produtos principais: o serviço de notícias de última hora Fast Alert, por assinatura, e o aplicativo de notícias gratuito NewsDigest.

A JX Press tem alguns financiadores de alto perfil, incluindo a gigante de mídia japonesa Nikkei e as empresas de capital de risco Mitsubishi UFJ Capital e CyberAgent Ventures. Entre seus clientes estão muitas das maiores emissoras do Japão, como NHK, TV Asahi e Fuji Television, que pagam uma assinatura mensal - cujo valor Yoneshige prefere não revelar - para usar o Fast Alert.

A Nikkei concorre com a Bloomberg, empresa controladora da Bloomberg News, no fornecimento de notícias e informações financeiras.