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Colômbia elege advogado pró-mercado Iván Duque presidente

Ezra Fieser e Matthew Bristow

18/06/2018 11h10

(Bloomberg) -- Na primeira eleição presidencial desde que assinou um histórico acordo de paz com rebeldes marxistas, a Colômbia elegeu no domingo Iván Duque, advogado pró-mercado educado nos EUA, com ampla vantagem sobre o ex-guerrilheiro e ex-prefeito de esquerda Gustavo Petro.

Duque, discípulo do ex-presidente Álvaro Uribe, será empossado em 7 de agosto e tem mandato até 2022.

O ex-senador herda uma economia lenta, uma crise migratória com a vizinha Venezuela e um rápido aumento da produção de cocaína, que levou o caos a certas regiões da zona rural. Apesar disso, o país vive seu momento mais pacífico em décadas, com o menor índice de homicídios desde a década de 1970 e uma eleição livre do terror e das sabotagens que marcaram as votações no passado.

No auge da violência dos cartéis de traficantes de drogas, nos anos 1980 e no início dos anos 1990, quatro candidatos presidenciais foram assassinados e as guerrilhas tornaram a votação impossível em algumas regiões.

Sem que a questão da segurança dominasse as eleições, o eleitorado ficou dividido entre candidatos com planos nitidamente diferentes para a economia de US$ 300 bilhões e para o acordo de paz de 2016 com membros desmobilizados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Duque, escolhido a dedo pelo ex-presidente Álvaro Uribe, apoia a exploração de petróleo e minérios, quer reduzir impostos corporativos e criticou o acordo de paz, que considera tolerante demais com os ex-integrantes das FARC. O petróleo respondeu por cerca de um terço dos US$ 38 bilhões em exportações da Colômbia em 2017, segundo estatísticas do governo.

Petro, economista e ex-membro do movimento guerrilheiro, foi eleito em 2011 prefeito de Bogotá, onde subsidiou o transporte público e o abastecimento de água. A plataforma dele defendia a produção agrícola e a transição do carvão e do petróleo para a energia solar.

A vitória confortável de Duque pode apoiar uma nova apreciação do peso, que se valorizou mais de 4 por cento neste ano, maior alta registrada nos mercados emergentes. Os preços mais altos do petróleo impulsionaram a moeda e isolaram o país das turbulências políticas que afligem o Brasil e o México e do caos econômico que assola a Argentina.

Repórteres da matéria original: Ezra Fieser em República Dominicana, efieser@bloomberg.net;Matthew Bristow em Bogotá, mbristow5@bloomberg.net