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Com onda de compras de rivais, dívida da Telefónica é nova norma

Rodrigo Orihuela e Charles Penty

18/06/2018 12h03

(Bloomberg) -- A Telefónica não será conhecida pela alavancagem elevada por muito mais tempo porque as aquisições impulsionadas por dívidas de seus pares roubarão atenção da operadora espanhola, segundo sua diretora financeira.

Os 44 bilhões de euros (US$ 51 bilhões) em dívidas da Telefónica há muito são um motivo de discórdia entre os investidores, que têm pressionado a direção da empresa a buscar a venda de ativos. Mas com a onda de aquisições envolvendo a Vodafone Group, a Liberty Global de John Malone, a Deutsche Telekom e outras, a Telefónica não será exceção, disse a diretora financeira da empresa, Laura Abasolo.

"Acredito que o foco na dívida da Telefónica diminuirá um pouco considerando que alguns pares terão dívidas maiores como resultado de fusões e aquisições recentes e porque estamos implementando uma infraestrutura melhor e reduzindo nossa dívida organicamente", disse Abasolo, em entrevista à Bloomberg na sede da Telefónica, em Madri, 10 meses depois de assumir o cargo.

A Vodafone vendeu US$ 11,5 bilhões em títulos para ajudar a financiar a aquisição de quase um terço da Liberty Global, uma das maiores vendas de títulos corporativos dos EUA neste ano. No caso da Deutsche Telekom, a fusão planejada de sua unidade americana T-Mobile US com a Sprint deverá elevar a alavancagem da operadora alemã a uma alta de 3,7 vezes o Ebitda em 2019, segundo a Moody's Investors Service, que mudou a projeção da Deutsche Telekom para negativa por causa do negócio.

A pressão para que a Telefónica contenha os empréstimos surge em meio a tropeços no crescimento da receita em seu principal mercado, a Espanha, e em um momento em que os bancos centrais estão reduzindo os estímulos monetários, aumentando a perspectiva de custos mais elevados para os empréstimos corporativos. Apesar de estudarem a venda de ativos ou de ações de unidades, por exemplo da divisão britânica O2, os executivos da empresa afirmam que os acordos não são fundamentais porque a Telefónica pode contar com o dinheiro das operações para levar os empréstimos a um nível mais sustentável.

A dívida da Telefónica chegou a 50 bilhões de euros em 2015 após vários anos de crescimento rápido impulsionado por aquisições. O total caiu 9 por cento no ano passado, mas a relação entre dívida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização continua sendo a segunda mais elevada da Europa após a da Telecom Italia, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Abasolo disse que sua equipe foi previdente, recentemente, ao refinanciar parte da dívida antes de o Banco Central Europeu permitir o aumento dos juros, pondo fim à política de flexibilização quantitativa, e que a necessidade de financiamento da Telefónica deve cair.

"Deixamos nossa fase de pico de investimento para trás", disse Abasolo, a primeira mulher a dirigir as finanças da Telefónica desde a fundação, há 94 anos. "Fizemos a maior parte de nossos investimentos em fibra na Espanha, e na América Latina industrializamos a maior parte do processo com base no que fizemos na Espanha, por isso a mudança na América Latina será executada em um período bastante curto de tempo e de maneira muito eficiente."

Repórteres da matéria original: Rodrigo Orihuela em Madri, rorihuela@bloomberg.net;Charles Penty em Madri, cpenty@bloomberg.net