ipca
0,48 Set.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Para Rio Bravo, alta de juros pode matar crescimento

Paula Sambo e Vinícius Andrade

20/06/2018 15h20

(Bloomberg) -- A Rio Bravo Investimentos, gestora de recursos fundada pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, está apostando que o Brasil não vai aumentar as taxas de juros após a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a retórica comercial aquecida atingirem os mercados emergentes.

O Banco Central só aumentaria os juros na reunião de quarta-feira "se quiser assassinar a atividade", disse Eduardo Levy, gestor de recursos da empresa em São Paulo.

Os operadores do mercado de juros futuros que há apenas uma semana estavam precificando um aumento da Selic, reduziram as expectativas depois que os EUA promoveram um aperto na política monetária e ameaçam uma guerra comercial com a China que poderia reduzir o crescimento global. A Argentina, Turquia, Índia e Indonésia elevaram os juros no mês passado para defender suas moedas, à medida que os investidores se livravam de ativos mais arriscados.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, surpreendeu os mercados em maio, com a manutenção da taxa Selic em 6,5 por cento, em vez de fazer outro corte para um recorde de baixa. Todos, exceto um economista, que responderam a pesquisa Bloomberg esperam que os juros sejam mantidos. Os traders que precificaram alta de um quarto de ponto até 14 de junho agora estão divididos entre manutenção e um aumento.

A Rio Bravo, que pertence ao conglomerado chinês Fosun, tem R$ 12 bilhões sob administração. Franco, que liderou o Banco Central de 1997 a 1999, é conhecido por mais que dobrar a taxa básica de juros de 20,7% para 43,4% em outubro de 1997. A mudança ajudou a reduzir a taxa de inflação e reforçou a moeda.

Alguns investidores estão procurando um novo suporte para o real nos dias de hoje. A moeda já depreciou 12% desde o final de março.

Levy disse que encontrar investimentos atraentes no Brasil está difícil no momento.

"A inclinação da curva é muito alta, é difícil fazer apostas em qualquer outro ativo de risco", disse ele.

--Com a colaboração de Aline Oyamada.

Repórteres da matéria original: Paula Sambo em São Paulo, psambo@bloomberg.net;Vinícius Andrade em Sao Paulo, vandrade3@bloomberg.net

Newsletters

Receba dicas para investir e fazer o seu dinheiro render.

Quero receber

Mais Economia