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Investidores reavaliam mercados de fronteira e emergentes

Andrew Janes, Filipe Pacheco e Nguyen Kieu Giang

22/06/2018 14h52

(Bloomberg) -- A promoção da Arábia Saudita e da Argentina ao status de mercados emergentes pela MSCI está obrigando os investidores em mercados de fronteira a refletir.

A EFG-Hermes Holding vê a necessidade de uma nova referência para investir em países menos desenvolvidos, em parte porque o índice de fronteira da MSCI ficou com mercados menos líquidos, segundo Mohamad Al Hajj, estrategista de ações do braço de pesquisa da empresa em Dubai. A Exotix Capital afirma que as últimas ações empurram o indicador atual de mercado de fronteira "mais para perto do esquecimento" porque o inclina apenas para um punhado de economias e a Renaissance Capital afirma esperar que mais investidores passem a optar pelo indicador híbrido da MSCI.

Os países menos desenvolvidos, chamados de mercados de fronteira, buscam o status de mercado emergente porque ele pode se traduzir em bilhões de dólares em investimentos estrangeiros oriundos de fundos que monitoram índices que não são gerenciados ativamente. Mas as promoções podem deixar o indicador apenas para países exóticos, membros menos líquidos e relevantes para as gerenciadoras de recursos. Os chamados fundos passivos administram US$ 384 bilhões em mercados emergentes, além de US$ 1,1 trilhão em fundos administrados ativamente, segundo o JPMorgan Chase.

"Alguns investidores estão usando ou avaliando referências alternativas que combinam mercados emergentes e de fronteira", disse Al Hajj. "Essa mudança continuará até que uma nova referência, possivelmente combinando mercados de fronteira e emergentes menores, vire a norma para os mercados de fronteira."

Nas promoções feitas pela MSCI nesta semana a Argentina voltou ao status de mercado emergente após nove anos de ausência e a Arábia Saudita saltou completamente o status de mercado de fronteira. O Kuwait também foi sinalizado para uma possível atualização em 2019 e a provedora do índice não identificou novas adições ao seu indicador de fronteira.

Os mercados de fronteira enquanto universo de investimento estão encolhendo com o tempo, disse Sebastien Lieblich, chefe global de soluções para ações da MSCI em Nova York. Isso poderia beneficiar os mercados menores porque as alocações de recursos agora podem chegar a eles em vez de irem para os membros maiores, disse. A Exotix Capital estima que se o Kuwait receber um upgrade, o Vietnã provavelmente responderá por 28 por cento do indicador, o que pode tornar as estratégias passivas baseadas no índice "cada vez mais incoerentes".

Para James Bannan, gerente de fundos da Coeli Asset Management em Malmo, na Suécia, com a promoção dos maiores mercados de fronteira há mais oportunidades de investimento nas economias menores.

"Os baixos níveis de investimento estrangeiro nesses mercados os tornam menos eficientes, o que gera um ótimo ambiente para conseguir retornos extraordinários", disse.

Mas para os fundos negociados em bolsa que monitoram referências, pode ser um desafio, segundo Andrew Brudenell, gerente de fundos da Ashmore Group em Londres. Nunca houve de fato "um produto de monitoramento passivo representativo, equilibrado e sensato" para os mercados de fronteira, disse.

"Todo mundo adora um índice de referência", disse Brudenell. "Mas eles não são representativos do que está acontecendo."

--Com a colaboração de Srinivasan Sivabalan.

Repórteres da matéria original: Andrew Janes em Singapore, ajanes@bloomberg.net;Filipe Pacheco em São Paulo, fpacheco4@bloomberg.net;Nguyen Kieu Giang em Hanói, giang1@bloomberg.net

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