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Bancos alemães apostam bilhões em tecnologia para elevar receita

Stephan Kahl

(Bloomberg) -- Os bancos alemães -- que brigam por posição em um dos mercados mais competitivos da Europa -- investirão bilhões de euros em digitalização nos próximos anos para aumentar as receitas. Resta saber quantos deles conseguirão o dinheiro de volta.

Os 50 maiores bancos do país chegarão a investir 6 bilhões de euros (US$ 7 bilhões) até 2020 para desenvolver iniciativas digitais, segundo estudo da consultoria Oliver Wyman fornecido com exclusividade à Bloomberg. Isso representa cerca de 12 por cento da receita total dos bancos no ano passado e exclui investimentos regulares em TI.

Bancos como o ING Groep, da Holanda, atraíram clientes na maior economia da Europa por meio de uma estratégia focada em internet e banco móvel. Apesar de outros bancos estarem seguindo o exemplo, criando cargos de diretor digital e estudando cooperações com as chamadas empresas de tecnologia financeira, ainda não se sabe quantos desses investimentos serão recompensados, afirmou a Oliver Wyman.

"Se alguém cria um aplicativo para dispositivos móveis, todos criam um aplicativo para dispositivos móveis, mesmo que não faça sentido, mas um aplicativo custa dinheiro", disse Goekhan Oeztuerk, sócio de serviços financeiros da empresa, em entrevista. "O que foi investido, em muitos casos, não foi devidamente pensado. Não se pensou, por exemplo, se determinado produto se traduziria em receita."

Do ponto de vista do custo, a lógica de criar plataformas de baixo custo para os bancos construírem seus produtos pode fazer sentido: segundo o estudo da Oliver Wyman, os custos de muitos bancos alemães vêm aumentando juntamente com as receitas nos últimos anos, com um aumento da relação custo-benefício para cerca de 70 por cento em média.

'Ritmo brutal'

"A digitalização chegou e avança a um ritmo brutal", disse Joachim Olearius, porta-voz dos três sócios do banco privado M.M. Warburg & CO, com sede em Hamburgo, em entrevista. A empresa dele lançou recentemente uma assessoria-robô. Na semana passada, os bancos cooperativos da Alemanha anunciaram que investirão 500 milhões de euros em digitalização.

Segundo o recente "Digital Banking Maturity Study EMEA", da Deloitte, os bancos alemães têm um nível apenas moderado de maturidade digital. Na comparação internacional, estão apenas em 24º lugar entre 38 países, segundo o estudo.

Marcus Dahmen, diretor de transformação bancária da consultoria Horváth & Partners, também criticou as estratégias de digitalização unidimensionais. "Descobrimos que muitos bancos se limitam a medidas individuais para se tornarem mais eficientes", disse. Em vez disso, deveriam "ousar desenvolver uma estratégia de digitalização abrangente que englobe todas as áreas de negócio".

Segundo o estudo da Oliver Wyman, muitos bancos confiam em empresas de tecnologia financeira para levar adiante suas iniciativas de digitalização. Elas teriam a prerrogativa de compensar a ausência de habilidades próprias. A maneira com que os bancos integram as firmas de tecnologia financeira, contudo, mudou ao longo do tempo. "Inicialmente, as firmas de tecnologia financeira eram muitas vezes compradas, mas depois se perdiam na empresa", disse Oeztuerk. "Hoje, o modelo de cooperação está ganhando mais importância."

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