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Clandestinidade cresce com novas regras de maconha na Califórnia

Jack Kaskey

29/06/2018 13h11

(Bloomberg) -- A iniciativa da Califórnia de abrir seu mercado de cannabis para usuários recreativos teve um resultado inesperado: um segmento crescente do setor pode estar voltando à clandestinidade.

Milhares de fabricantes, produtores e varejistas perderam suas licenças devido a regulamentações mais rigorosas sobre a maconha e ao aumento da fiscalização por parte das autoridades locais, algumas das quais não gostam muito da erva. As empresas de cannabis que continuam operando legalmente enfrentam uma variedade estonteante de novos impostos.

"Os conhecedores do setor têm se referido a isso como a hora da verdade", disse Kenny Morrison, presidente da Associação de Fabricantes de Cannabis da Califórnia. "Alguns serão pegos desprevenidos, outros vão expandir sua fatia de mercado."

O próximo obstáculo é o prazo de 1º de julho para os laboratórios certificarem que os produtos de maconha vendidos legalmente não contêm mofo nem pesticidas perigosos. O teste de laboratório foi adiado desde o início do ano para que os produtores tenham tempo de cumprir.

As novas regras implementam um referendo aprovado pelos eleitores em 2016, a Proposição 64, que expandiu a legalização da venda de cannabis, antes restrita a pacientes médicos, a qualquer adulto. De acordo com as regras antigas, qualquer um que buscasse uma receita para produtos de maconha conseguia obtê-la com facilidade - e, com pouca supervisão, o mercado explodiu.

Agora, ele está encolhendo novamente - pelo menos de acordo com a contagem oficial. Após anos de atuação fora da lei, muitos do setor estão simplesmente se afastando do mercado legalizado, em vez de encarar as novas regras.

Em menor número

"O mercado ilícito nos supera na proporção de cinco para um", disse Morrison. "Você pode ir a qualquer cidade e encontrar quatro lojas legais e 20 lojas ilegais. E o que é pior, essas quatro lojas legais estão cobrando o dobro ou o triplo do preço cobrado pelas lojas ilegais."

As autoridades locais agora podem optar por proibir os negócios de cannabis, se assim o desejarem - inclusive aqueles que operavam legalmente de acordo com as regras antigas. Alex Traverso, porta-voz do Escritório de Controle de Cannabis do estado, disse que foi exatamente isso o que 70 por cento das jurisdições fizeram.

Como resultado, o número de varejistas licenciados caiu para 410, de acordo com o estado. É menos que o total registrado de acordo com as regras antigas, cerca de 1.100, segundo a empresa de pesquisa BDS Analytics. O número de serviços de entrega licenciados pelo estado caiu para 116, em contraste com uma estimativa da BDS de cerca de 2.000 historicamente.

Os produtores enfrentam um baque similar. Cerca de metade das fazendas dedicadas ao cultivo de maconha no estado, que totalizam de 50.000 a 60.000, foi excluída do mercado pelas novas regras, e muitas estão voltando para o mercado negro, disse Hezekiah Allen, diretor-executivo da Associação de Produtores da Califórnia. Os produtores de menor porte estão tendo mais dificuldade para fazer a transição, disse ele.

O estado emitiu 3.693 licenças de produtores ativos até 18 de junho, disse Steve Lyle, porta-voz do Departamento de Alimentos e Agricultura da Califórnia. Como os produtores de maior porte detêm diversas licenças, o número real de fazendas legais está mais perto de 1.700, disse Allen.