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Conheça os traders pegos no escândalo das taxas Euribor

Franz Wild, Jeremy Hodges e Karin Matussek

13/07/2018 14h54

(Bloomberg) -- Um ex-trader do Barclays foi condenado, um ex-executivo do Deutsche Bank se declarou culpado e outro ex-funcionário deste banco foi absolvido de conspirar para fraudar a Euribor, a taxa de juros de referência que serve de base para trilhões de dólares em títulos. O júri não chegou a uma decisão em relação a outras três pessoas.

Philippe Moryoussef foi considerado culpado por manipular a Euribor, enquanto Achim Krämer foi absolvido. O júri não conseguiu chegar a um veredicto a respeito de Colin Bermingham, Sisse Bohart e Carlo Palombo. Christian Bittar, do Deutsche Bank, se declarou culpado antes do início do julgamento de dois meses. Outros cinco traders do Deutsche Bank e do Société Générale foram condenados, mas não foram extraditados da Alemanha e da França.

Confira a seguir o que você precisa saber sobre os réus:

Christian Bittar | Deutsche Bank, swaps desk, Londres

Idade: 46 anos

Veredicto: declarou-se culpado

Uma década atrás, Bittar era uma das estrelas do Deutsche Bank e recebeu um bônus de cerca de 90 milhões de libras. Ele não compareceu ao tribunal -- declarou-se culpado quase um mês antes do julgamento, mas isso não impediu que ele se destacasse também no julgamento.

A confissão deu o tom, e ele foi mencionado muitas vezes como a pessoa que dava as cartas. Ele foi citado em uma conversa lida no tribunal falando ao guru dos fundos de hedge Alan Howard sobre uma "agenda" para derrubar a Euribor.

Bittar foi criado no Senegal, frequentou uma das melhores universidades francesas e depois começou a trabalhar para o Société Générale em Paris como analista quantitativo. Ele foi recrutado pelo Deutsche Bank e era conhecido como senhor Ponto-base por fazer negócios baseados em minúsculas mudanças nas taxas de juros a curto prazo. Apesar da enorme remuneração, ele morava em uma casa relativamente modesta, dirigia um carro comum e não gastava com roupas extravagantes.

Philippe Moryoussef | Barclays, swaps desk, Londres

Idade: 50 anos

Veredicto: culpado

Moryoussef fugiu para a França, seu país natal, em vez de comparecer ao julgamento, e não enviou advogado ao tribunal. Isso o transformou em alvo de acusações não contestadas da promotoria, dos advogados de defesa e dos réus.

Moryoussef entrou no Barclays em 2005 e se transferiu em 2008 para um emprego com salário maior. A promotoria afirma que a conspiração foi comandada por ele e por Bittar, que contava com ele para influenciar requisitantes do Barclays. Moryoussef usava histórias sobre as enormes transações que realizou para pedir ajuda, mas as posições de que falava eram quase sempre de Bittar.

Carlo Palombo | Barclays, swaps desk, Londres

Idade: 39 anos

Veredicto: Nenhum

Palombo nasceu em Milão e sua carreira no Barclays começou em 2002 com rotação por várias equipes antes de se fixar com swaps.

No tribunal, ele se mostrou como uma figura excêntrica em comparação com os outros acusados, proferindo questões filosóficas a respeito da desigualdade de renda. Apesar de a princípio aparentemente ter conquistado o júri com seu senso de humor peculiar e um sorriso cintilante, tropeçou ao fazer uma série de analogias comparando a condição do trader júnior, entre outras coisas, com a do "cara que atende no McDonald's".

Colin Bermingham | Barclays, cash desk, Londres

Idade: 61

Veredicto: Nenhum

Bermingham ingressou no Barclays em 1974 após concluir cursos de inglês, história e arte no Ensino Médio.

No fim dos anos 1970, Bermingham comprava e vendia dinheiro na mesa para atender às necessidades de liquidez do banco e se tornou, talvez, a pessoa mais experiente do setor. Ele foi mentor de outra ré, Sisse Bohart, e se tornou uma figura paterna fora do trabalho, chegando em alguns casos a levá-la de carro ao aeroporto quando ela voltava à Dinamarca para visitar seu padrasto, que estava doente.

Sisse Bohart | Barclays, cash desk, Londres

Idade: 41 anos

Veredicto: Nenhum

A mãe e quatro irmãos de Bohart foram da Dinamarca para assistir o depoimento dela. Ela era uma especialista em TI antes de conseguir uma chance como trader sob as asas de Bermingham. Antes de regressar à Dinamarca, em 2008, ela era a principal pessoa do Barclays a fazer as submissões da Euribor. Ela tem um filho de um ano e trabalha para uma empresa de energia na Dinamarca.

Achim Krämer | Deutsche Bank, gerente trading pool em Frankfurt

Idade: 53 anos

Veredicto: inocente

Krämer era coroinha em um pitoresco vilarejo perto de Frankfurt onde ainda mora com a esposa e três filhos. O padre de sua igreja declarou como testemunha de caráter dele. Sem diploma universitário, Krämer entrou no ramo bancário como aprendiz na adolescência, carreira interrompida apenas para o cumprimento do serviço militar obrigatório.

Ele negociava títulos do governo alemão para o JPMorgan antes de passar para o Deutsche Bank em 1996. Ele nunca enfrentou nenhuma investigação interna por qualquer delito. Diferentemente dos demais réus, o banco pagou os advogados de Krämer.

Andreas Hauschild | Deutsche Bank, swaps desk, Frankfurt

Idade: 53 anos

Status: acusado no Reino Unido, mas Alemanha rejeitou pedido de extradição.

Hauschild fazia parte da equipe de trading do Deutsche Bank em Frankfurt, mas depois de 16 anos deixou o banco para se tornar chefe de risco global do Commerzbank em 2006. Segundo Krämer, Hauschild tinha sua própria carteira de trading mesmo quando era supervisor e gerenciava-a inclusive quando estava de férias. A certa altura, ele reclamou para Krämer que as taxas Euribor estavam custando "muito dinheiro" a ele. A promotoria disse que Hauschild falou em fazer negócios para distorcer a Euribor por meio de falsas demandas de dinheiro.

Kai-Uwe Kappauf | Deutsche Bank, swaps desk, Frankfurt

Idade: 42 anos

Status: acusado no Reino Unido, mas Alemanha rejeitou pedido de extradição.

Kappauf começou sua carreira no Deutsche Bank como aprendiz em 1996. Krämer era chefe de Kappauf e disse ao tribunal que Kappauf não teve muito sucesso no início de 2005. A promotoria disse que ele, Ardalan Gharagozlou e Jörg Vogt repassavam os pedidos de Euribor de Bittar aos requisitantes que estavam sentados na fileira seguinte em Frankfurt.

Ardalan Gharagozlou | Deutsche Bank, swaps desk, Frankfurt

Idade: 46 anos

Status: acusado no Reino Unido, mas Alemanha rejeitou pedido de extradição.

Gharagozlou entrou no Deutsche Bank em 2000. Quando foi demitido, 13 anos depois, por comunicações ligadas à manipulação de referências, ele era vice-presidente. Ele ganhava cerca de 265.000 euros na época e recebeu um bônus de 2,7 milhões de euros em 2011, segundo um julgamento de um tribunal do trabalho em um processo ganho por ele relacionado à sua demissão. O banco recorreu e a disputa posteriormente terminou em acordo.

Jörg Vogt | Deutsche Bank, swaps desk, Frankfurt

Idade: 48 anos

Status: acusado no Reino Unido, mas Alemanha rejeitou pedido de extradição.

Vogt entrou no Deutsche Bank em 1991. Durante o período sob investigação, a Vogt também fazia parte da equipe de trading de Frankfurt. Uma vez ele perguntou a um colega: "você viu o esquema para três meses hoje? Foi uma excelente ação conjunta de Frankfurt e Londres." Mas quando Bittar pediu a ele uma submissão particularmente elevada da Euribor, certa vez, ele respondeu que o pedido era "ridículo".

Stéphane Esper | Société Générale, trader de swaps em Paris

Idade: 43 anos

Status: acusado no Reino Unido, mas Alemanha rejeitou pedido de extradição.

Antes de deixar o Société Générale, em 2009, Esper trabalhou em Paris como trader de swaps de taxa de juros europeias. Os promotores do caso disseram que Esper fez parte da conspiração para influenciar os requerentes de Euribor a ajustarem suas taxas para beneficiar suas posições de trading, mas ele foi mencionado apenas esporadicamente.