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'Não é moda': Exame do CFA contempla criptomoedas e blockchain

Michael Patterson e Andrea Tan

16/07/2018 14h13

(Bloomberg) -- Este pode ser um sinal inquestionável de que as criptomoedas chegaram a Wall Street.

O CFA Institute, cujo extenuante programa de três níveis ajudou a capacitar mais de 150.000 profissionais da área financeira, adicionará pela primeira vez no ano que vem tópicos sobre criptomoedas e blockchain ao currículo dos níveis I e II. O material para os exames de 2019 será liberado em agosto, dando aos candidatos a primeira oportunidade de dar início às 300 horas recomendadas de estudos.

O CFA acrescentou os tópicos como parte de uma nova leitura chamada Fintech in Investment Management (Tecnologia Financeira na Gestão de Investimento) depois que os participantes do setor mostraram um interesse crescente por pesquisas e grupos focais. Os mundos das finanças e das criptomoedas estão cada vez mais interligados após a explosão do bitcoin no ano passado, e atualmente contratos futuros regulados são negociados em Chicago, empresas blue chips, como o Goldman Sachs, estão envolvidas em ativos digitais e dezenas de profissionais de Wall Street estão se somando a startups relacionadas às criptomoedas.

Apesar de as moedas digitais terem despencado em 2018 e o impacto dos empreendimentos de blockchain no mundo real ter se limitado, alguns analistas afirmam que a tecnologia poderia acabar transformando algumas partes do sistema financeiro global.

"Vimos esse campo avançar mais rapidamente do que outros e também o consideramos mais durável", disse Stephen Horan, diretor-gerente de educação geral e currículo do CFA Institute em Charlottesville, Virgínia. "Não é uma moda passageira."

O material do CFA sobre criptomoedas e blockchain aparecerá ao lado de outros assuntos sobre tecnologia financeira, como inteligência artificial, aprendizagem de máquina, big data e trading automatizado. Mais tópicos sobre criptomoedas, como o cruzamento das moedas virtuais com a economia, poderão ser adicionados futuramente ao currículo, disse Horan.

"Será benéfico para nós, já que houve uma enorme expansão e uma adoção das criptomoedas em nosso universo de investimentos", disse Kayden Lee, 27, estudante de economia financeira da Universidade de Columbia, que fez o exame de nível I do CFA em junho e está estagiando como analista de fundos em Cingapura durante as férias do meio do ano.

"Mas o mais importante é que o foco está voltado à tecnologia financeira e ao blockchain", disse Lee. "Está focado em como fazem para melhorar, decifrar e até revolucionar determinados setores."

Os novos tópicos também aparecerão nas leituras do CFA sobre ética profissional, área que, segundo alguns, está em falta no mundo das criptomoedas. Muitos projetos de moedas virtuais operam em uma zona jurídica cinza, enquanto firmas de negociação de ativos digitais e ofertas iniciais de moedas estão repletas de exemplos de fraude, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e roubos.

Um total de 227.031 pessoas de 91 países e territórios, um recorde, se registrou para fazer os exames CFA em junho em busca de uma maior compreensão das finanças, de melhores perspectivas de emprego ou de uma combinação de ambas as coisas. A maioria dos candidatos vem da Ásia, onde ocorre boa parte do comércio de moedas virtuais do mundo. Cerca de 45 por cento das transações de bitcoin são combinadas com o iene japonês, segundo o CryptoCompare.com, e as bolsas de criptomoedas coreanas estão entre as maiores do mundo.

Repórteres da matéria original: Michael Patterson em Hong Kong, mpatterson10@bloomberg.net;Andrea Tan em Cingapura, atan17@bloomberg.net