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Meirelles será oficializado candidado do MDB, diz Padilha

Simone Iglesias

19/07/2018 17h10

(Bloomberg) -- O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles terá sua candidatura à Presidência da República aprovada pelo MDB no dia 2 de agosto, quando ocorrerá a convenção nacional do partido, disse o vice-presidente do MDB e ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

A projeção de Padilha é que ele tenha em torno de 450 dos 629 votos dos emedebistas com direito a voto no encontro partidário. "Meirelles merece que o MDB prestigie sua candidatura a presidente", afirmou Padilha, em entrevista à Bloomberg, nesta quinta-feira.

Há dificuldade para compor com aliados, inclusive com os partidos que têm cargos no governo, e a tendência é de que o candidato a vice seja também do MDB. O nome do vice ainda não está definido.

Meirelles teve suas aspirações ameaçadas algumas vezes nesses três meses desde que deixou o Ministério da Fazenda para entrar na corrida presidencial. Primeiro, o presidente Michel Temer chegou a pensar em disputar a reeleição, mas acabou desistindo por conta de sua baixa popularidade. Depois, partidários tentaram negociar que Meirelles concorresse a vice de algum candidato com maior viabilidade eleitoral. No entanto, a cúpula partidária decidiu apoiar sua campanha, apesar de algumas dissidências internas.

"É importante eleitoralmente que o número do partido, o 15, esteja na urna e na propaganda de TV, porque isso alavanca votos na legenda", disse Padillha.

Depois de o MDB perder ao menos dez deputados federais na janela partidária, Padilha estima que o seu partido, o PT e o PP serão as legendas que elegerão o maior número de parlamentares neste ano. "Esses três partidos terão as maiores bancadas da Câmara. Não acredito que nenhuma legenda faça mais de 55 parlamentares".

Transição responsável

Apesar de Meirelles se apresentar como o líder do "dream team" econômico montado pelo presidente Michel Temer, ele chega na campanha com um quadro menos positivo do que esperava. "Piora do quadro econômico já houve. Não se prevê mais um crescimento de 3%, baixou para 1,6%. A greve dos caminhoneiros acelerou este processo", disse Padilha na conversa com a Bloomberg. Segundo ele, a depender dos candidatos que forem para o segundo turno, poderá haver "mais uma trepidação". "O mercado é muito sensível".

Padilha disse que o presidente Michel Temer pediu a todos no governo que trabalhem pela pacificação nas relações políticas e para que haja uma "transição responsável". Nesse contexto, citou as reuniões realizadas pelo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, com os assessores econômicos dos pré-candidatos. "Uma das coisas mais importantes agora é garantir pacificação para que o próximo presidente comece o ano com amplas condições de governar".

O chefe da Casa Civil afirmou também que a privatização da Eletrobras e subsidiárias e a cessão onerosa são os projetos mais importantes até o fim da gestão Temer. "Como caiu a liminar, ganhamos mais liberdade de ação". Para Padilha, a reforma da Previdência poderá voltar à pauta após o resultado das eleições, a depender do eleito. "Pode haver um pacto com o novo presidente, embora eu ache que a reforma terá que ser um pouco mais dura do que a proposta que está no Congresso".