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De onde virão sinais de desaquecimento da demanda de petróleo

Ellen Milligan e Alex Longley

17/08/2018 13h25

(Bloomberg) -- A expectativa era que este ano seria marcado por enorme demanda de petróleo, mas as economias das nações em desenvolvimento que puxariam o crescimento estão dando sinais de alerta.

A procura adicional nos mercados emergentes neste ano é estimada em 1 milhão de barris diários, ou três quartos do crescimento global total, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Muitos desses países viraram epicentros de tumulto: a China travando uma guerra comercial com os EUA, Turquia e Argentina enfrentando crises cambiais e a Indonésia correndo risco de contágio.

Se a turbulência na economia mundial se arrastar, como o mercado de petróleo mostrará que a demanda está de fato sendo afetada?

Spreads temporais

Uma das métricas mais visíveis da saúde do mercado é a diferença de preços entre um contrato futuro e o contrato com vencimento em seguida. Esses spreads podem refletir tendências de demanda, passando de positivos a negativos se a oferta passar de insuficiente a exagerada.

Qualquer desaceleração na expansão da demanda global será percebida nos spreads, explicou Bjarne Schieldrop, analista-chefe de commodities da SEB AB. "Preço do petróleo e estrutura da curva de petróleo são geralmente os indicadores que capturam todos os fatores do lado da demanda e todos os fatores do lado da oferta em um só número."

Diesel

Diesel e gasóleo são mais intimamente dependentes do ritmo da economia mundial do que o petróleo, sendo usados na indústria pesada e no transporte comercial.

"O gasóleo costuma ter alinhamento mais próximo com o crescimento global, então é preciso acompanhar seus spreads", aconselhou Warren Patterson, estrategista sênior de commodities do ING Bank.

O spread temporal para petróleo e gasóleo em Londres caiu para território pessimista, mas somente no curto prazo. Diferenciais mensais nos contratos futuros em Nova York não mostram sinais reais de fraqueza.

Correlações com commodities

Comparar as oscilações de preços do petróleo com outras commodities é útil para entender o estado da economia global. Nesta semana, cotações de metais de base como cobre e zinco também desabaram diante de preocupações com a desaceleração do crescimento da demanda, superando até a queda do barril.

Em dias em que o petróleo cai junto com todo o complexo de commodities, talvez isso seja indicativo do "sentimento negativo nos mercados financeiros em relação à economia global, incluindo o mercado de petróleo", disse Jens Naervig Pedersen, analista sênior do Danske Bank.

Fluxos de capital

Enquanto as mazelas econômicas da Turquia viravam manchete nesta semana, o preço do petróleo em liras batia recorde. O mesmo aconteceu em diversos mercados emergentes neste ano, com destaque para rupia indiana e rublo russo.

"Preço maior do petróleo combinado com depreciação cambial significa problemas para o crescimento da demanda de petróleo em mercados emergentes como a Índia, onde os consumidores já pagam preços quase recordes pela gasolina", disse Michael Tran, estrategista global de energia da RBC Capital Markets.

Fretes

Fretes são ótima referência para quem quer saber a quantidade de mercadorias transportadas ao redor do planeta. Seja em navios petroleiros ou de carga, quedas nesses preços são alertas de problemas adiante.

"Isso mostraria sinais sobre a atividade de transporte que se correlaciona com o comércio de mercadorias, uma parte importante da economia global", disse Pedersen.

Repórteres da matéria original: Ellen Milligan em Londres, emilligan11@bloomberg.net;Alex Longley em Londres, alongley@bloomberg.net