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Bancários recebem aumento e treinamento nos EUA

Emma Kinery

20/08/2018 16h14

(Bloomberg) -- As agências bancárias nos EUA ainda têm atendente na entrada, cafezinho e às vezes até biscoitos saídos do forno. O HSBC também oferece o robô Pepper. Com pouco mais de um metro de altura, Pepper tem revestimento branco brilhante, cabeça em forma de limão, luzes azuis no lugar dos olhos e um tablet no peito.

Daria para supor que Pepper reflete a visão do HSBC Holdings para um futuro não muito distante de agências sem bancários. Não é o caso, segundo Pablo Sanchez, diretor de banco de varejo e gestão de fortunas da instituição nos EUA. A função do robô é atrair pedestres para a agência-modelo do HSBC na Quinta Avenida em Manhattan e posar para selfies, além de responder perguntas simples e indicar a clientes quem é o ser humano mais apto a ajudá-los.

O Goldman Sachs Group fez uma pesquisa sobre as atitudes dos clientes quando lançou o banco de varejo digital. A conclusão foi que as pessoas querem encontrar respostas sem ajuda, mas quando não conseguem, querem assistência imediata de um profissional qualificado. A tolerância para sistemas de autoatendimento é grande. Mas quando algo dá errado, entra a tolerância zero.

Por estas e outras, muitos bancários estão recebendo aumentos salariais neste ano. Quase meio milhão de americanos têm essa ocupação. O Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos EUA (BLS) estima que os bancos eliminarão mais de 40.000 posições na década que termina em 2026. Pela lógica, esse movimento deveria diminuir a remuneração mediana da categoria, que estava em US$ 13,50 por hora no ano passado.

Mas o quadro tem nuances. Após receberem generosos cortes de impostos do governo americano em dezembro, muitos bancos -- incluindo Wells Fargo, PNC Financial Services e Fifth Third Bancorp - anunciaram que elevariam o salário mínimo dos funcionários para US$ 15 por hora.

Agências e bancários não vão desaparecer. Como os clientes realizam transações financeiras de rotina em seus smartphones, a profissão de bancário está se atualizando. Eles estão sendo treinados a oferecer empréstimos, orientar pequenos empresários e dar suporte técnico. O resultado é que, em muitos bancos, uma profissão considerada ameaçada pela automação agora paga salários maiores.

"Anos atrás, os bancários só precisavam informar saldo ou perguntar se o cliente queria o dinheiro em notas de cinco ou dez", disse Christopher Maher, presidente do OceanFirst Financial, o quarto maior banco de Nova Jersey. "Agora eles precisam resolver problemas com PayPal, Venmo e Uber.''

O OceanFirst criou um curso digital de nove semanas para treinar funcionários a usar diversas plataformas de pagamento. O BBVA Compass Bancshares está ajudando os bancários a receber certificados e licenças para orientar clientes em decisões financeiras mais complexas.

A estratégia é elevar o número de bancários capazes de responder todo tipo de pergunta. Para refletir essas competências, o OceanFirst também elevou seu salário mínimo por hora para US$ 15.

Nem sempre a presença de um funcionário se justifica. Quando uma casa de repouso pediu que o OceanFirst abrisse uma miniagência interna, as contas não fecharam. O banco fez então uma experiência com vídeo.

As máquinas são como caixas eletrônicos, mas um botão conecta o usuário a uma pessoa. Um bancário pode operar 10 máquinas e executar praticamente todos os serviços oferecidos nas agências. Agora, todas as agências novas do OceanFirst têm o equipamento e por isso operam com horário estendido.

--Com a colaboração de Jeremy Lin, Brandon Kochkodin, Jenny Surane e Hannah Levitt.