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Por que Cuba não está aproveitando os turistas asiáticos

Kristine Servando

23/08/2018 16h42

(Bloomberg) -- Quer dizer que você acha que viajar dos EUA para Cuba é cansativo? Tente ir para lá saindo da Ásia.

Os voos são por si só uma prova de resistência, com mais de 40 horas de duração, se você decolar de Sidney. Na verdade, não há nenhum voo direto para a ilha do Caribe proveniente de toda a região Ásia-Pacífico.

Isso pode ajudar a explicar por que é pouco provável encontrar hordas de turistas asiáticos passeando pelas ruas de Havana em carros clássicos de cores vivas ou tomando mojito nos animados salões de jazz de Trinidad. Só quatro países da região Ásia-Pacífico -- China, Japão, Austrália e Filipinas -- entram na lista anual das principais fontes de visitantes de Cuba. Colocando em perspectiva, o número de visitantes canadenses ultrapassou o de chineses em uma proporção de 30 a um, de acordo com as estatísticas de turismo de Cuba de 2016.

Essa é uma oportunidade perdida. De acordo com números da ONU, os turistas da região Ásia-Pacífico gastaram US$ 473 bilhões em viagens ao exterior em 2016, respondendo por 40 por cento do total do gasto em turismo internacional. Esse tipo de dinheiro poderia ajudar muito Cuba a cumprir seu objetivo de triplicar a receita obtida com o turismo até 2030, em um momento em que o país se esforça para reanimar uma economia submetida a sanções comerciais e a restrições mais duras para viagens do presidente dos EUA, Donald Trump.

Estes são os três desafios principais dos turistas da Ásia em uma viagem para Cuba.

Do outro lado do mundo

A distância e a falta de voos diretos fazem com que o preço das passagens aéreas para a ilha do Caribe seja exorbitante. Os voos de ida e volta na classe econômica entre Brisbane, Austrália, e Havana, com pelo menos duas escalas, variam de US$ 2.000 a US$ 5.000, segundo a empresa de monitoramento de tarifas FareCompare. Por sua vez, as passagens de Hong Kong com uma escala podem chegar a custar US$ 3.000 -- quase o dobro do que custa voar até a vizinha Cancún, no México.

Problemas com os vistos

As pessoas que têm passaportes da Índia e das Filipinas se unem a 18 países (entre eles Síria, Iraque e Nigéria) que precisam de um adesivo especial no passaporte para entrar em Cuba. Conseguir um não é fácil: se você estiver em um lugar que não tem consulado cubano, como Manila, terá que fazer uma viagem adicional a um hub vizinho para solicitar o adesivo pessoalmente. E se esse hub vizinho for Pequim, talvez seja preciso solicitar um visto (para a China) para conseguir seu visto (para Cuba).

Ausência de marketing

"Muitas agências de viagens não focam no mercado asiático", diz a cubana Marla Recio Carbajal, fundadora da empresa especializada em viagens de luxo Havana Reverie, que organiza retiros corporativos, galas, jantares privados e desfiles de moda para clientes desde 2016. Dada a proximidade, o governo de Cuba tem se concentrado em atrair turistas do Canadá, da América Latina ou da Europa com cruzeiros e pacotes de estadia em resorts de praia. "Mas, como estão chegando mais asiáticos, acho que os operadores turísticos estão percebendo que aí há um grande potencial", diz ela.