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Mel da Nova Zelândia causa problemas jurídicos nos EUA

Kate Krader

27/08/2018 14h44

(Bloomberg) -- Houve uma onda inesperada de crimes ligados a alimentos no primeiro semestre de 2018. Em meados de agosto, uma carga de macarrão instantâneo avaliada em US$ 98.000 foi roubada de um caminhão na Geórgia. No Chile, a longa estiagem e a demanda crescente por abacates levaram grupos organizados e armados a assaltar produtores em plena luz do dia. Para combater o aumento dos roubos, o país destacou policiais e também o primeiro promotor focado em abacates, noticiou a Bloomberg. O roubo da fruta gera problemas também na Nova Zelândia, o que levou à instalação de sistemas de alarme nos pomares.

Mas a Nova Zelândia tem um alimento ainda mais sofisticado que está gerando problemas jurídicos.

O mel de manuka é um adoçante caro com notáveis propriedades antibacterianas -- adorado por sua capacidade de curar feridas e queimaduras, de ajudar na digestão e de manter a pele macia. O mel escuro com sabor medicinal é produzido a partir da árvore manuka, nativa da Nova Zelândia. Ele vem ganhando popularidade, particularmente nos últimos seis anos, com um crescimento de 33,5 por cento de 2012 a 2016, segundo a QYResearch.

Mas sua reputação de "ouro líquido" está gerando problemas no setor. Em julho, três pessoas entraram com ação coletiva em Oakland, na Califórnia, contra a Trader Joe's pela venda de um mel de manuka falsificado que havia sido rotulado como 100 por cento puro. Os consumidores alegam que pagaram mais caro pelo mel que era 100 por cento manuka, mas que, ao testá-lo, descobriram que continha no máximo 62,6 por cento do produto. O processo, intitulado Moore v. Trader Joe's, observa violações em Nova York, na Califórnia e na Carolina do Norte.

No início do mês, o Good Morning America iniciou uma investigação sobre o produto: o programa se uniu ao Sweetwater Science Lab para testar várias marcas amplamente disponíveis nos EUA e verificar a pureza delas. Em 2014, o Ministério das Indústrias Primárias da Nova Zelândia revelou a produção de apenas 1.700 toneladas de mel de manuka, mas que mais de 10.000 toneladas de mel rotulado como manuka haviam sido vendidas.

Uma das principais empresas do mercado de mel de manuka é a Comvita. Trata-se da única fabricante de mel com ações negociadas na bolsa de valores da Nova Zelândia, onde registrou lucro de US$ 9,3 milhões no período de um ano encerrado em junho. Em janeiro, a Comvita expandiu sua presença para 200 lojas da Costco nos EUA e para armazéns de todo o Canadá.

Corey Blick, vice-presidente da Comvita na América do Norte, está atento à novela do mundo do mel de manuka. "Conversamos sobre isso todos os dias", diz. "Quem poderia imaginar que o mel geraria ações judiciais?" Ele preferiu não comentar sobre o processo da Trader Joe's, mas observa que "sempre que se vê um mel de manuka de baixo preço por aí, há motivos para desconfiar. O produto é caro de fazer, em termos de custo da mercadoria."

Para produtores de mel de manuka como a Comvita, o problema é que não se consegue fabricar o suficiente para atender à demanda. O mel é produzido a partir de árvores de manuka que florescem apenas algumas semanas por ano. "Recusamos pedidos toda semana. É frustrante", diz Blick.