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Cool Britannia não quer perder relevância por causa do Brexit

Robert Williams e Suzi Ring

21/09/2018 11h39

(Bloomberg) -- Nos anos 1990, no auge da "Cool Britannia", os estilistas John Galliano e Alexander McQueen dominavam as passarelas, o xadrez da Burberry era a estampa do momento e a modelo Kate Moss percorria o mundo ao som de Oasis e Spice Girls, ostentando um blazer com a bandeira Union Jack.

Mas a música parou e os jovens fashionistas dos dias de hoje preferem usar um moletom de capuz com a bandeira da União Europeia. Os blusões azuis com estrelas douradas são um sinal de uma moda em plena mudança, enquanto cresce o nervosismo dessa indústria sobre se o Reino Unido será capaz de manter sua fama de criador de tendências agora que se prepara para sair da UE.

"Eu sei que o Brexit é responsável por uma grande dose de incerteza e preocupação", disse Margot James, ministra de Indústrias Criativas, ao abrir a Semana da Moda de Londres, enquanto as negociações para sair do bloco estão em um impasse. "Uma coisa que me dá ânimo é que a criatividade deste país, exemplificada por este setor, não tem fronteiras."

Os criadores de imagem do setor de luxo estão reunidos no evento, que é realizado duas vezes por ano e termina neste fim de semana, e os holofotes sobre as marcas britânicas estão mais fortes do que nunca. A Burberry Group estreou um novo estilista e, pela primeira vez em 10 anos, Victoria Beckham fará seu desfile de Nova York no seu país natal. Alfaiates da lendária Savile Row de Londres fizeram uma festa de rua para mostrar seus ateliês.

À primeira vista, a indústria da moda britânica está indo bem. Ela contribuiu com 32,3 bilhões de libras (US$ 43 bilhões) para a economia do Reino Unido no ano passado, 5,4 por cento a mais do que em 2016, segundo a Oxford Economics, pois a desvalorização da libra, induzida pelo Brexit, deu impulso aos gastos dos turistas e tornou as exportações mais atraentes.

Farfetch e Chanel

A nova empresa de luxo britânica Matchesfashion.com conquistou uma avaliação de US$ 1 bilhão quando foi vendida para uma companhia de private equity no ano passado e a plataforma on-line de luxo Farfetch realizou uma abertura de capital na quinta-feira em Nova York que arrecadou US$ 885 milhões. A Chanel está transferindo algumas funções corporativas globais dos EUA para a capital britânica.

Mas os varejistas do Reino Unido estão mergulhando cada vez mais fundo em uma crise provocada pela ascensão da Amazon.com e exacerbada pela desvalorização da libra. A operadora de lojas de departamentos House of Fraser foi vendida para a Sports Direct International, do bilionário Mike Ashley, depois de iniciar os procedimentos de falência. Os efeitos se espalharam para as marcas que vendem por meio dessa rede e as ações da fabricante de artigos de couro Mulberry despencaram após o acordo.

A imagem do Reino Unido ficou abalada entre os jovens consumidores que definem as tendências que estimulam o crescimento da indústria da moda -- e também entre o conjunto global de profissionais que criam os mais novos visuais --, mas os estilistas britânicos estão tentando mostrar que o país insular ainda conserva sua relevância.

O Brexit transmitiu "uma mensagem que não reflete quem somos de verdade", disse Hywel Davies, diretor do programa de moda da Central Saint Martins, a instituição onde McQueen e outros ícones se formaram. Agora, estudantes e estilistas estão trabalhando para "desafiar o Brexit de modo criativo", disse ele.

Repórteres da matéria original: Robert Williams em Paris, rwilliams323@bloomberg.net;Suzi Ring em Londres, sring5@bloomberg.net

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