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Partido banido é obstáculo político para Facebook na China

Mark Bergen e David Tweed

26/09/2018 12h23

(Bloomberg) -- O Facebook se envolveu em mais uma disputa política - desta vez com a China, um mercado onde a gigantesca rede social está tentando entrar.

A polícia de Hong Kong pediu que a companhia remova a página oficial do Partido Nacional, que defende a independência e foi abalado por uma proibição sem precedentes do governo nesta semana. A proibição promete multas e prisão para aqueles que ajudarem o grupo. Autoridades de Hong Kong fizeram o pedido ao Facebook depois que a medida foi anunciada na segunda-feira, de acordo com o jornal South China Morning Post.

A decisão de proibir o Partido Nacional, que, segundo o governo, é um risco à segurança nacional, gera o receio de que o governo de Hong Kong queira estabelecer um precedente para reprimir grupos de oposição, enfraquecendo a autonomia da cidade na estrutura de "um país, dois sistemas", vigente desde o começo do domínio chinês, em 1997. O pedido também coloca a empresa de rede social com sede em Menlo Park, na Califórnia, em uma posição difícil, e a recusa poderia prejudicar esforços futuros para se expandir na China.

A China censura os meios de comunicação e proíbe Facebook, Twitter e Google, da Alphabet, no continente, mas Hong Kong tem relativamente menos restrições à imprensa e à internet. A página do partido no Facebook permanecia visível até a tarde desta quarta-feira em Hong Kong.

Uma porta-voz do Facebook não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Não está claro se a polícia de Hong Kong pediu que o Twitter ou o YouTube, do Google, removam as páginas oficiais do partido de seus sites.

O líder do Partido Nacional, Andy Chan, preferiu não comentar e acrescentou que não usa a página no Facebook desde que o partido foi banido. "Vou convocar uma entrevista coletiva em breve e responderei a todas as suas perguntas", disse Chan, indicando que usaria sua página pessoal no Facebook para anunciar a data.

O pedido de Hong Kong também coincide com um momento preocupante para o Facebook, que foi criticado nos EUA e na Europa pelo modo de lidar com conteúdo de teor político. Após notícias de que houve interferência russa na eleição presidencial dos EUA em 2016, o Facebook e outras empresas de tecnologia têm sido alvo de análises mais minuciosas sobre as decisões de moderação de conteúdo. Em uma audiência recente no Senado dos EUA, os legisladores criticaram a empresa de rede social e outras gigantes do Vale do Silício, incluindo o Google, da Alphabet, por sua disposição para colaborar com a China.

O Facebook pode estar interessado em evitar inflamar as tensões na China. No início deste ano, sua tentativa de abrir um "centro de inovação" no país foi barrada.

Na China, o Partido Comunista, que está no poder, considera que qualquer comentário de governos estrangeiros sobre os assuntos de Hong Kong são uma violação de sua própria soberania. "Certos países e instituições fizeram declarações irresponsáveis sobre a proibição ao funcionamento do Partido Nacional de Hong Kong imposta pelo governo de Hong Kong, que é uma Região Administrativa Especial da China", disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Geng Shuang, na terça-feira. "Expressamos uma grande insatisfação e uma firme oposição a isso."

Repórteres da matéria original: Mark Bergen em São Francisco, mbergen10@bloomberg.net;David Tweed em Hong Kong, dtweed@bloomberg.net

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