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Investidora aposta em fundo de empresas que promovem mulheres

Min Jeong Lee

28/09/2018 15h42

(Bloomberg) -- Miyuki Kashima foi uma das primeiras mulheres gestoras de fundos do Japão, com uma carreira iniciada em meados dos anos 1980, antes do estouro da bolha. Agora, ela tem desempenho superior ao do índice de referência apostando em empresas que contratam e promovem mais mulheres.

Por mais de três décadas, a investidora da BNY Mellon Asset Management foi uma rara voz feminina em um setor dominado por homens e em um país onde as mulheres eram subutilizadas e tratadas como cidadãs de segunda classe no mercado de trabalho.

Mas nos últimos anos ela tem visto sinais claros de mudança. Tanto que ela e sua equipe criaram um fundo voltado ao tema. O BNY Mellon Womenomics Fund, com US$ 22,2 milhões em ativos no Japão, aposta em empresas que contratam e promovem mulheres ou desenvolvem produtos voltados às necessidades delas. O fundo superou o índice de referência Topix todos os anos desde que foi criado.

Agora Kashima levou o fundo de sua equipe para fora do país lançando uma versão dele, o Dreyfus Japan Womenomics Fund, para clientes do mercado americano, na semana passada. A lógica dela é que as condições são propícias para apostar em empresas japonesas em geral, mas particularmente naquelas ligadas ao empoderamento feminino. Segundo ela, as duas principais razões são: a presença feminina na força de trabalho do Japão está aumentando fortemente e a economia continua crescendo a um ritmo saudável.

"O Japão está começando a mudar", disse Kashima, em entrevista, em Tóquio. "A bola agora está rolando e não se pode pará-la."

Nos primeiros dias de seu segundo mandato, o primeiro-ministro Shinzo Abe traçou metas para criar um "Japão no qual as mulheres brilharão". Ele incentivou políticas para permitir que as mulheres trabalhassem e tivessem filhos ao mesmo tempo e fixou a meta inicial de elevar a participação feminina nos cargos de supervisão para 30 por cento, em todos os campos, quando Tóquio receber os Jogos Olímpicos, em 2020. Posteriormente, a meta foi reduzida.

O fundo, mais ou menos coincidente com as chamadas políticas "womenomics" de Abe, registrou retorno total de 84 por cento desde que foi criado, em 2014, contra um retorno de 60 por cento do Topix. Entre seus principais ativos estão empresas como Daikin Industries e Nidec. As empresas do setor de manufatura fixaram metas claras para o aumento da porcentagem de mulheres em sua força de trabalho ou em cargos de gestão.

Kashima diz que o país começa a fazer progressos significativos em termos de diversidade de gênero, foco rentável de investimento que durará décadas.

Mas apesar do otimismo em relação às mudanças na sociedade japonesa, ela também é realista em relação ao trabalho que ainda precisa ser feito."Estamos muito atrasados em termos de igualdade de gênero", disse Kashima. "Temos um longo caminho a percorrer e este é apenas o começo."

--Com a colaboração de Isabel Reynolds.

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