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Maior mineradora do mundo mira boom dos carros elétricos

David Stringer

17/10/2018 14h28

(Bloomberg) -- A BHP Billiton está ampliando as vendas do níquel de alta qualidade utilizado na produção de baterias para veículos elétricos, mais um sinal de que a maior mineradora do mundo está de olho em novas oportunidades nesse setor em expansão.

As vendas de níquel refinado, categoria que inclui os produtos de alto padrão usados para a produção de baterias, subiram 18 por cento no período de três meses terminado em 30 de setembro em relação ao ano anterior, segundo comunicado divulgado na quarta-feira. A empresa começou a oferecer dados mais detalhados sobre a produção de níquel e de cobalto devido ao interesse dos investidores em sua exposição à ascensão dos carros elétricos.

A operação Nickel West da BHP, na Austrália Ocidental, tem o objetivo de vender 90 por cento da produção para o setor de baterias até o fim do ano que vem, deixando de lado o mercado de aço inoxidável, sua base tradicional de clientes. Além disso, estão sendo desenvolvidos métodos por meio de testes de laboratório para produção de sulfato de cobalto, outro material fundamental para as baterias recarregáveis.

O setor de níquel está se transformando em um mercado de duas camadas, com uma projeção mais fraca para os materiais destinados à indústria de aço inoxidável e um forte crescimento da demanda no setor de veículos elétricos que respaldará os preços, informou o Goldman Sachs em nota recebida na terça-feira. Demonstrando cautela em nota, a gigante russa da mineração de níquel MMC Norilsk Nickel prevê que a demanda relacionada aos veículos elétricos perderá força em 2019 porque alguns países cortaram os subsídios para os veículos.

"O mercado não se conscientizou da importância que as baterias terão para o níquel, mas há muitas projeções otimistas por aí, então com certeza esta é uma área que nos interessa", disse Mathew Hodge, analista da Morningstar em Sidney, por telefone.

A BHP já abastece fabricantes de baterias como a Panasonic, parceira da Tesla, e estuda um plano de expansão que transformaria a Nickel West na maior fornecedora mundial de sulfato de níquel, segundo declaração do presidente da Nickel West, Eddy Haegel, em agosto. Entre as opções de longo prazo está a possibilidade de a unidade combinar materiais de cobalto e níquel para desenvolver um produto intermediário para a cadeia de abastecimento das baterias, o que exigiria um ágio maior.

A produção de cobalto atual da unidade caiu 11 por cento no trimestre de setembro, informou a BHP. As operações da fundição Kalgoorlie da divisão deverão voltar à capacidade plena até o mês que vem, depois das interrupções provocadas por um incêndio ocorrido em setembro, informou a empresa.

Apesar de o lucro subjacente da Nickel West ter disparado no ano fiscal 2018 devido aos preços mais altos, o futuro da unidade é incerto porque ela responde por menos de 2 por cento dos resultados totais da BHP. A produtora está "feliz por manter a Nickel West por enquanto, mas pode seguir qualquer um dos caminhos no futuro" e a mudança para atender ao setor de baterias está ampliando a viabilidade do ativo em termos de comercialização, disse o CEO Andrew Mackenzie.