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Morte de Gilberto Benetton cria dilema na família bilionária

Tommaso Ebhardt

23/10/2018 14h53

(Bloomberg) -- A morte de Gilberto Benetton, mentor da diversificação da família do ramo de suéteres para infraestrutura, restaurantes e empresas financeiras, representa um problema de sucessão para o bilionário clã italiano.

Benetton fundou a empresa de vestuário homônima há mais de 50 anos com os irmãos Luciano e Giuliana, além de Carlo, que faleceu em julho. Os quatro tinham participações iguais na empresa holding principal, a Edizione, e falta um sucessor óbvio para Gilberto, que acumulou um patrimônio líquido de cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

O executivo de 77 anos morreu na segunda-feira, em sua casa, em Treviso, na Itália, após uma breve doença, segundo comunicado da família.

Enquanto o irmão mais velho Luciano, 83, sempre teve envolvimento direto com a Benetton Group e retornou no ano passado ao comando da empresa de moda para reformular negócios problemáticos, Gilberto foi o principal arquiteto da expansão da família além do setor de vestuário. Ele ajudou a criar a Edizione, que controla investimentos na operadora de rodovias Atlantia, e a Autogrill, que opera restaurantes de beira de estrada.

A Edizione, que tinha um valor patrimonial líquido de 12 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) no fim de junho, enfrenta um de seus momentos mais difíceis. Depois que uma ponte operada por sua unidade Atlantia em Gênova desmoronou, matando mais de 40 pessoas, a participação da família na empresa perdeu mais de 2 bilhões de euros em valor.

Apesar de os Benetton já terem escolhidos integrantes de fora da família nos últimos anos, como Marco Patuano, ex-CEO da Telecom Italia, para dirigir a Edizione, Gilberto ainda era a voz mais importante da família nas decisões sobre investimentos e estratégia. Ele atuou como vice-presidente do conselho da Edizione na presidência de Fabio Cerchiai.

"Ele era um homem de valor extraordinário e visão empreendedora rara", disseram Patuano e Cerchiai, em comunicado. "Sua capacidade de prever acontecimentos econômicos e sociais direcionaram a Edizione a suas escolhas estratégicas mais importantes."

Agora a família pode estar discutindo quem deve suceder Gilberto. Alessandro, filho de Luciano, é a figura de maior destaque da segunda geração e é bastante conhecido pelos investidores. Ainda assim, o executivo de 54 anos deixou a empresa de vestuário em 2014 e atualmente está totalmente dedicado ao seu próprio fundo de private equity, o 21 Partners. A expectativa é que a filha de Gilberto, Sabrina, assuma o lugar dele no conselho da Edizione.

Nos últimos anos, Gilberto se inclinava por mudar o papel dos membros da família para cargos de supervisão, e não de gerência. Ele havia indicado que, no futuro, a holding deveria operar mais como um fundo de investimento soberano.

O veículo da holding familiar também detém 3 por cento da maior seguradora da Itália, a Assicurazioni Generali, e 2 por cento do Mediobanca, o maior banco de investimento de capital aberto do país. Em julho, a Edizione comprou a maior participação individual na operadora de torres de telefonia celular espanhola Cellnex.

--Com a colaboração de Jack Witzig, Tom Metcalf, Kim Bhasin e Hema Parmar.

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