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Executivos encontram equilíbrio em escola de música do Brooklyn

Amanda Gordon

13/11/2018 15h10

(Bloomberg) -- Henry Choi dirige seu family office do último andar de um sobrado no bairro novaiorquino de Park Slope, trabalho que pode ser solitário após anos de atuação como gerente de portfólio em fundos de hedge e executivo de investimentos do Goldman Sachs.

Choi, 42, encontra consolo na mesma rua, não em um bar, mas no Conservatório de Música do Brooklyn, no qual a música clássica, o jazz e cantos atravessam as janelas. Membro do conselho, Choi trabalha para expandir a organização sem fins lucrativos de 121 anos e para sentir que faz parte de algo maior.

"Não foi uma crise da meia-idade", disse Choi, em noite recente no conservatório, enquanto os arcos das crianças se moviam para frente e para trás em "Twinkle, Twinkle, Little Star" ("Brilha, brilha, estrelinha"). A questão era: "Quero trabalhar com finanças o resto da minha vida ou optar por algo tangível e bom para a comunidade?"

As escolhas de estilo de vida de Choi refletem mudanças culturais significativas: a influência dos millennials em busca de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mudanças em Wall Street após a crise financeira de 2008 -- e o que acontece quando os ricos se mudam para o progressista Brooklyn.

Choi e a esposa, Sandy Lin, veterana de startups de tecnologia, mudaram de um apartamento no Lower East Side para um sobrado reformado quando o filho de quatro anos ainda era bebê; desde então, eles tiveram mais uma filha e ganharam um lustre feito pela celebrada designer Lindsey Adelman, vizinha deles.

Mudança pessoal

A mudança foi também pessoal. Ele estava "chegando na casa dos 40 à frente de um negócio para jovens". Ele era mais um pai em um bairro repleto deles.

"Você quer chegar lá" antes que os filhos "se tornem independentes e não queiram nada contigo", disse. Como sinal de compromisso com a família, ao montar o escritório, ele o batizou de Blue Bird Partners em homenagem à rua onde foi criado, em Huntsville, Alabama.

Foi singular o fato de ele encontrar uma afinidade com Chad Cooper, o diretor-executivo do conservatório. Cooper chegou à escola em 2016 após 16 anos no Deutsche Bank, onde foi executivo bancário de investimentos cobrindo mercado imobiliário e private equity. O objetivo dele era tirar a escola do vermelho e transformar a paixão de toda a vida pela música em um trabalho diário.

Dois anos depois, as matrículas e doações estão em alta, a escola opera no azul e Cooper, que traça planos com o conselho para expandir o espaço e a programação, ganhou seu primeiro salário anual perto de US$ 100.000.

Todo esse progresso se refletiu no dinheiro arrecadado na terceira festa anual do conservatório: US$ 185.000, mais do que o dobro do primeiro ano.

A primeira festa foi realizada dois dias depois da eleição de Donald Trump como presidente. "Foi catártica", disse Cooper. "As pessoas pensavam: 'Ah! Humanos! Há esperanças para o futuro.'"Essa vibração se manteve forte após as eleições de meio de mandato nos EUA."A música não é republicana, nem democrata. Não é pró-arma, nem favorável à liberação do aborto. É americana", disse Kamesh Nagarajan, diretor-executivo de gestão de riqueza privada do Morgan Stanley.

Peter Sarsgaard, ator americano que participou da festa de 8 de novembro, disse que o apoio à escola é um bálsamo, "dado o que está acontecendo no mundo neste momento. Para lidar com o absurdo e a falta de esperança, precisamos realmente ir ao nível mais local e procurar maneiras de chegar a outras comunidades ao nosso redor, formar as conexões que não podem ser quebradas".