PUBLICIDADE
IPCA
+0,53 Jun.2021
Topo

Trump quer incluir soja em acordo comercial EUA-China

Mario Parker

16/11/2018 14h59

(Bloomberg) -- O governo Trump pretende pressionar por um compromisso da China para retomada das importações de soja americana em qualquer acordo comercial fechado entre as duas maiores economias do mundo, afirmou um alto funcionário americano do setor agrícola na quinta-feira.

A China aplicou uma tarifa retaliatória de 25 por cento aos grãos cultivados nos EUA, o que interrompeu o fluxo de comércio e forçou os produtores americanos a buscarem espaços para armazenagem à espera de uma solução. O país asiático recorreu à América do Sul para substituir a oferta dos EUA, gerando a preocupação de que a guerra comercial possa ter efeitos duradouros.

Apesar de os EUA estarem pressionando por mais vendas de produtos agrícolas em geral, o vice-secretário de Agricultura dos EUA, Steve Censky, disse que qualquer pacto comercial possível englobaria também especificamente a retomada das vendas de soja, já que o grão foi alvo da guerra comercial.

"Gostaríamos de assegurar que o acordo inclua as commodities que normalmente exportamos para lá e que foram afetadas por retaliação deles", disse Censky, em entrevista, em Chicago.

Censky, que anteriormente chefiou a Associação Americana de Soja, disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, buscaria um "nível robusto de compromisso da China para compras porque queremos assegurar que retomaremos nossas vendas".

Trump e o presidente da China, Xi Jinping, deverão se reunir para jantar, no fim do mês, na cúpula do Grupo dos 20, em Buenos Aires. O secretário de Comércio, Wilbur Ross, disse em entrevista, na quinta-feira, que os dois líderes se concentrarão no "panorama geral".

Em comentários anteriores ao Annual Waterways Symposium, Censky disse que a China usou de "estratégia" ao infligir "dor" à base política rural de Trump.

Em julho, o governo anunciou que entregaria US$ 12 bilhões em ajuda aos produtores atingidos pelo fogo cruzado da escalada das tensões comerciais. No mês passado, o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse que o governo não planejava oferecer ajuda aos produtores em 2019.

Internamente, Censky disse que o governo tem a difícil tarefa de convencer o novo Congresso a aprovar o novo tratado comercial entre EUA, México e Canadá. Os democratas agora controlam a Câmara de Representantes, apesar de os republicanos terem mantido a maioria no Senado.

"A aprovação do acordo pelo Congresso não é certa", disse.

--Com a colaboração de Rachel Adams-Heard.