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Empresas manifestam preocupação com regras vagas para clima

Jeremy Hodges

13/12/2018 11h43

(Bloomberg) -- Os líderes empresariais que participam de uma rodada de negociações da Organização das Nações Unidas a respeito da limitação das mudanças climáticas alertaram que as regras que os enviados estão elaborando podem ser vagas demais para mudar a maneira como eles trabalham.

Empresas como a fornecedora de móveis sueca Ikea, a fabricante de chocolates Mars e a operadora de redes de telefonia BT Group buscam um guia que indique o rumo das políticas governamentais para o meio ambiente. Enviados de quase 200 países trabalham há quase duas semanas na Polônia para redigir as regras que acompanham o histórico Acordo de Paris.

Mas delegados e observadores das discussões afirmam que o trabalho produzido na reunião de Katowice provavelmente carecerá de detalhes específicos, como por exemplo quando chegarão os mais de US$ 100 bilhões por ano prometidos para ajuda climática e como o mercado de carbono global poderá ser reanimado. Em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o governo chinês impõem outras prioridades além do meio ambiente, empresas e grupos de pressão estão manifestando seu descontentamento em relação ao rumo das negociações da ONU e ao acordo que devem produzir neste fim de semana.

"O que estamos tentando incentivar aqui é a urgência", disse Andreas Ahrens, chefe de clima da Ikea, em entrevista, em Katowice. "Nós precisamos ir trabalhar. Nós precisamos do livro de regras."

Três anos atrás, com o apoio do então presidente Barack Obama, essas conversas produziram o primeiro compromisso da história, tanto dos países ricos quanto dos pobres, de frear as emissões geradas pelos combustíveis fósseis. Os diplomatas deixaram os detalhes da implementação do pacto para uma reunião posterior e esperam produzir o chamado livro de regras de Katowice nesta semana.

"Regras fracas geram incerteza", disse Jake Schmidt, que acompanha as negociações para o Natural Resources Defense Council (Conselho de Defesa dos Recursos Naturais), um grupo ambientalista americano. "Se os países mostrarem que estão cumprindo as metas, mas a atmosfera sofrer um aumento das emissões, saberemos que o regramento frágil gerou uma mudança climática descontrolada."

Enviados e grupos ambientalistas se uniram às empresas e manifestaram frustração pelo fato de o processo não avançar mais rapidamente, afirmando que a falta de detalhes na reunião chamada de COP24 atrasaria os investimentos.

"Se não houver acordo na COP24 para reforçar os negócios, o mundo corre o risco de ver suas metas climáticas ficarem fora de alcance, com consequências catastróficas para a população e para o planeta", disse o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Edson Duarte.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou à reunião nesta quarta-feira, conclamando os delegados a fazerem concessões, dizendo que "a janela de oportunidade está se fechando". Autoridades polonesas que ajudam a coordenar a discussão reconheceram que estão atrasadas e propuseram na quarta-feira uma série de textos para romper o impasse.

"É possível ver que a abordagem atual para as negociações está esgotada", disse Michal Kurtyka, o enviado polonês responsável pelas negociações, na terça-feira. As discussões devem ser concluídas na sexta-feira à noite.